PROGRAMAÇÃO CULTURAL INGLATERRA 2015


Escrevi esse post pensando em todos que estão planejando uma viagem para a Inglaterra esse ano.  A programação cultural está espetacular : há muitas exposiçōes, peças de teatro, espetáculos de dança e musicais que a mídia considera imperdíveis.

ARTE

1. A exibição que eu não vou perder por nada desse mundo acontece na Tate Liverpool a partir de 30 de junho ( até 18 de outubro) é " Blind Spots ", com obras de Jackson Pollock, um dos mais geniais artistas do século XX. Referência mundial no movimento expressionista-abstrato, Pollock  (1912/1956) desenvolveu uma técnica em que respingava a tinta sobre suas imensas telas - a imagem aí de cima é de uma de suas obras : "  Yellow Islands", de 1952. 


Rubens: Pan and Syrinx (1617)

2. Mas quem quiser conferir uma super mostra não precisa esperar tanto. Uma das mais importantes exposiçōes do ano já está acontecendo na Royal Academy (Londres):  "Rubens and his legacy"  reúne obras do mestre holandês e de outros artistas geniais que foram influenciados por ele, como Cézanne, Picasso e Rembrandt. Segundo o jornal The Telegrapha exposição,  é absolutamente "fascinante". Até 10 de abril.

3. A Tate Modern - também em Londres - vai reunir obras da artista Sonia Delaunay, uma das figuras-chave do movimento avant-garde do início do século XX. De 5 de abril até 9 de agosto. 

4. Essa é para quem gosta de moda: o talentosíssimo designer britânico Alexander McQueen ganha exposição no Victoria & Albert Museum (Londres), de 14 de março até 19 de julho.

5. A britânica Barbara Hepworth ganha retrospectiva na Tate Britain, em Londres. A escultora pode não ser muito badalada no Brasil, mas é adorada na Inglaterra. A mostra acontece de 24 de junho até 25 Outubro. 


TEATRO:

1. Provavelmente o espetáculo mais badalado do ano vai ser Hamlet, com o ator Benedict Cumberbatch, que acabou de ser indicado para o Oscar de melhor ator. O Sherlock da TV vive o príncipe dinamarquês entre 5 de agosto a 31 de outubro. Imagine a correria que já deve estar acontecendo por um ingresso...


Kristin Scott Thomas vai viver a rainha Elizabeth

2. Mas a minha dica pessoal é assistir Kristin Scott Thomas ("O Paciente Inglês", "Quatro Casamentos e Um Funeral") no Apollo Theatre vivendo a rainha Elizabeth na peça The Audience. Kristin faz sempre muuuuuito sucesso no teatro - público e crítica adoram ela, que deve arrasar.  

3. O musical Bugsy Malone é um dos mais esperados do ano em Londres. Em cartaz de 11 de abril a 1 de agosto no teatro Hammersmith Lyric. 

DANÇA

1 Quem acompanha o blog sabe que eu adoro o Royal Ballet. A companhia, a melhor do Reino Unido, é sempre garantia de um espetáculo de qualidade impecável. Esse ano as produçōes são variadas - como o clássico Lago dos Cisnes, coreografias mais modernas como Four Temperaments e song of the Earth. Minha dica é checar aqui todas as opçōes.  


2.A companhia de Pina Bausch  apresenta pela primeira vez no Reino Unido duas produçōes inéditas : 'On the Mountain a Cry Was Heard' e 'Ahnen'. De 15 a 26 de abril no Sadler's Wells, em Londres. 

DICAS DE MUSICAIS EM LONDRES


Duas dicas de musicais para vocês que estão planejando uma viagem a Londres. A primeira é "Women on the verge of a nervous breakdown"- isso mesmo: 'Uma mulher à beira de um ataque de nervos", adaptação do filme homônimo de Pedro Almodovar. Com estreia marcada para o dia 18 de dezembro, o espetáculo promete fazer rir todos que forem conferir o talento da atriz Tamsin Greig - que já ganhou vários prêmios por produçōes anteriores. O musical acontece no Playhouse Theatre. 

E como a moda parece ser adaptar produçōes cinematográficas para o palco, a minha segunda dica de musical é também inspirada num filme: "Made in Dagenham"  (em português o título foi "Revolução em Dagenham "). Baseado numa estória real, de 1968, o musical conta a trajetória e coragem da operária Rita O’Grady, que convence suas amigas a lutar por igualdade salarial na fábrica da Ford, localizada na cidade de Dagenham do título. Rita e as colegas fazem uma greve que se arrastou por dias, ganhou as manchetes da mídia e fez a Ford fechar suas portas por tempo indeterminado. Resultado: o salário das trabalhadoras foi equiparado ao dos homens. O espetáculo está em cartaz no Adelphi Theatre.

PEÇA DE OSCAR WILDE EM LONDRES




Minha super amiga Katia Lazarini, professora de inglês e especialista em cultura britânica, assistiu recentemente, em Londres, a uma peça de Oscar Wilde  (1854-1900), escritor irlandês que continua a exercer enorme fascinação nas platéias contemporâneas. Ela adorou a experiência : "Uma emoção quase indescritível ". Generosa, Katia concordou em dividir com os leitores deste blog a experiência. Abaixo, segue seu relato: 

"Há algumas semanas, tive a oportunidade de assistir a uma peça no Harold Pinter Theatre em Londres. A peça, The Importance of Being Earnest, é uma comedia escrita por Oscar Wilde -  um dos gênios da literatura. A experiência foi emocionante. 

Minha aventura passou por varias emoções. A primeira era a de estar num teatro em Londres. O que costuma ser parte do cotidiano das pessoas que moram na capital inglesa ou nas proximidades, para mim, era um evento único, que me fez sentir, de certa forma, mais ‘cult’, em meio a pessoas que sabem apreciar um bom programa cultural.  A segunda, a oportunidade de ver literatura bem ali, ao vivo, diante dos meus olhos, como se eu estivesse ao lado de Oscar Wilde enquanto ele escrevia aquela obra. Mais que uma espectadora, eu era, naquele momento, uma pessoa que podia ver a genialidade de Wilde - autor que não mostrava nenhuma dificuldade em satirizar as regras de comportamento da sociedade vitoriana. 
Katia, pouco antes do início da peça

Finalmente, minha emoção maior. Eu estava tendo o privilégio de poder assistir grandes atores britânicos em uma produção no estilo "uma peça dentro de uma peça " , que permite que atores mais velhos representem papeis mais jovens, mistura o ensaio final com o início da peca e mostra como funcionam os bastidores, a escolha e a disposição do cenário e o árduo trabalho dos atores para se adaptarem ao contexto da obra.  


A produção, em cartaz no Harold Pinter Theatre, está fazendo o maior sucesso em Londres

Impossível não se emocionar com todas essas coisas acontecendo ao mesmo tempo em apenas duas horas e meia de encenação: atores com muito profissionalismo; Londres, berço do teatro britânico; o teatro em si, nos moldes Shakespearianos; Oscar Wilde, o consagrado escritor; e eu bem ali, vendo tudo de camarote. "

ENTENDER INGLÊS EM PEÇAS DE TEATRO


Quem estuda inglês quer ter o gostinho de praticar um pouco a língua quando visita o Reino Unido. A conversação pode ser praticada fazendo pedidos em um restaurante ou compras em uma loja. Mas para checar (e desenvolver) a compreensão oral - ou, no popular, treinar o ouvido  -  uma boa idéia é assistir a peças de teatro. Mas como escolher a melhor para o seu nível de inglês?

Baseada na minha experiência como professora de inglês e como brasileira morando na Inglaterra, acredito que alguns fatores atrapalham bastante o entendimento de peças em inglês (se você não for fluente na língua). São eles: 

a)Sotaque carregado dos atores. De uma maneira geral, os atores disfarçam ou anulam seus sotaques quando estão encenando uma peça. Porém, alguns espetáculos exigem sotaque. Explico melhor: algumas peças têm enredos muito específicos - a história acontece, por exemplo, numa pequena vila no interior da Escócia. Aí os atores fazem o contrário: capricham no sotaque regional, para dar veracidade à história. Resultado: sobra para o brasileiro que está assistindo o espetáculo tentar entender o que está acontecendo no palco. rs

É sempre bom lembrar que cada região da Inglaterra tem a sua própria maneira de pronunciar as palavras - ou seja: uma pessoas nascida e/ou criada no Norte da Inglaterra fala de uma maneira bem diferente de outra que é da região Sul do país, por exemplo. Alguns sotaques são ainda mais específicos, identificando não apenas a região, mas também a cidade de onde a pessoa é. Por exemplo: todo mundo reconhece o sotaque de alguém de Liverpool no momento em que ele/ela pronuncia as primeiras palavras. E, é claro, o sotaque escocês é muito diferente do inglês, que é muito diferente do irlandes, que é muito diferente do sotaque do morador do País de Gales. 

Eu e Mike prontos para assistir a uma peça em Londres
 - ele não parece muito animado, né? rs

b) Uma narrativa não linear . Antecipações, retrospectivas, cortes e rupturas do tempo e do espaço em que se desenvolvem as ações podem ser um recurso fantástico da dramaturgia, mas também podem atrapalhar o entendimento linguístico. Peças com uma narrativa mais linear - começo, meio, fim - são mais fáceis de acompanhar (um típico exemplo são as de Agatha Christie).

c) Diálogos que façam constante referências a assuntos da vida política/ social cotidiana ou a fatos históricos do Reino Unido que você possa não estar familiarizado. Eu nunca vou me esquecer uma das primeiras peças que assisti aqui com o Mike (meu marido), em que os personagens faziam constantes piadas envolvendo indiretamente políticos ou personalidades da mídia nacional que eu absolutamente desconhecia. Todo mundo na platéia rindo e eu boiando...

Bem, esses são alguns dos fatores que atrapalham. E os que ajudam? 

Minha experiência com A Chorus Line, em Londres : é um musical que eu conheço o enredo
+ já tinha visto o filme  = entendimento fácil

1.Musicais são a melhor opção para quem não tem muita experiência com a língua. Recheados de músicas e danças, eles são fáceis de acompanhar. O ideal é escolher espetáculos que você já conheça bem a história, para ficar ainda mais fácil de entender a narrativa. Por exemplo, se você conhece ( e gosta) da história ( e das músicas) de Singing in the Rain (em cartaz no no Empire Theatre, em Liverpool de 22 de abril a 3 de maio), esse é o musical ideal para ser assitido. Eu vi essa mesma produção em Londres e posso garantir que é fácil (além de super bacana). 

É claro que, às vezes, mesmo um musical impōe alguma limitação. A história do musical Billy Elliot, por exemplo, é razoavelmente conhecida do público brasileiro por conta do filme homônimo  - que conta a inspiradora (e verdadeira ) luta de um adolescente em busca de seu sonho de se tornar um bailarino. No entanto, existe uma dificuldade:  o sotaque super carregado dos atores - o musical é ambientado numa cidade mineradora do norte da Inglaterra.

2. Se você já se sente meio craque na língua, deve experimentar uma peça sem música - seja ela comédia ou drama. Minha dica é começar, novamente, com uma história conhecida - baseada num livro ou filme que você conheça. É um recurso que ajuda muito. 

Eu estou falando por experiência própria: fiz isso quando optei por Twelve Angry Man (ainda em cartaz em Londres, no Garrick Theatre). Já tinha assistido ao filme em DVD e ajudou muito ao entendimento. Fiz isso novamente quando assisti a peça A Woman of No Importance (de Oscar Wilde) e ao suspense A Ratoeira (The Mousetrap), de Agatha Christie. Ambas foram razoavelmente fáceis de entender. Veja bem, não estou dizendo que foram fáceis para eu entender - seriam fáceis para qualquer pessoa que tivesse um bom nível intermediário de inglês e conhecesse previamente as respectivas histórias.


The Globe, em Londres: palco de Shakespeare

Mas para aqueles que são fluentes e querem tentar algo mais puxado - nada como a experiência de assistir Shakespeare ao vivoAssistir Shakespeare em inglês antigo é difícil, não há como negar. Mas também uma experiência inesquecível, principalmente para alguém que gosta de teatro e já estudou  sobre o autor





MUSICAL E TEATRO EM LONDRES


O musical The Commitments, que eu e o Mike assistimos essa semana em Londres, é muito bacana mesmo. Para quem não viu o filme homônimo, dirigido por Alan Parker, em 1991, eu resumo a estória: é sobre o início da formação de uma banda irlandesa que tocava soul - o som é de alta qualidade, o vocalista arrasa, mas a banda não engatava por causa de tanta briga, ciumeras e fofoca entre os componentes. 

A trilha sonora é muito boa mesmo - no final da apresentação, no domingo, o público presente no Palace Theatre estava de pé, dançando ao som de "I Heard It Through The Grapevine", "Try A Little Tenderness" e "Satisfaction", entre outros hits dos anos 70/80.  O teatro, por sinal, é em si uma beleza: construído em 1891, já foi palco de grandes musicais recentemente: nós vimos Singing in the Rain (Cantando na Chuva) ano passado lá mesmo.



Eu e o Mike assistimos ainda em Londres a uma outra peça (essa séria): Twelve Angry Man. Eu já tinha visto o filme homônimo na TV - uma produção da HBO, com o veterano Jack Lemmon - e adorado. A peça é fabulosa : conta a estória de um júri confrontado com a missão de condenar ou não à pena de morte um jovem acusado de assassinar o próprio pai. A peça,  escrita no final dos anos 50, mexe com medos e preconceitos. Os 12 jurados são todos brancos e o acusado é um jovem negro pobre. Os diálogos de Reginald Rose são inteligentes - fiquei sabendo que muitos estudantes de Direito são levados ao teatro pelos professores por causa da temática da produção.

ELENCO DE OURO CELEBRA TEATRO


Três das mais famosas e premiadas atrizes britânicas -  Hellen Mirren, Judi Dench e Maggie Smith - sobem o palco hoje do National Theatre (Londres) para uma apresentação única em comemoração ao 50 o aniversário do histórico teatro. Durante um pouco mais de duas horas, as estrelas, junto com outros atores, lembrarão cenas de 26 produçōes memoráveis que aconteceram no local - especialmente peças de Shakespeare, como como "Hamlet" e "Otello". 

A noite vai lembrar ainda, por meio de um documentário, o mais importante diretor do teatro: o insuperável Lawrence Olivier, grande ator Shakespearano.  O evento, que terá transmissão ao vivo pela BBC, promete ter uma audiência espetacular.

VANESSA REDGRAVE NO TEATRO EM LONDRES


O melhor programa teatral da temporada acabou de estreiar: a peça Shakespereana Much Ado About Nothing ("Muito Barulho Por Nada") com a maravilhosa Vanessa Redgrave e James Earl Jones. Geralmente o casal de amantes dessa deliciosa comédia é representado por atores mais jovens - mas os veteranos prometem dar um show. A química entre a dupla já foi testada com enorme sucesso quando contracenaram juntos em "Conduzindo Miss Daisy" em West End  e na Broadway.

Para lembrar, Vanessa Redgrave é uma das importantes atrizes britânicas, com participaçōes no teatro e cinema (Oscar por "Júlia"; uma dos últimos papéis dela na telona foi em "Cartas para Violeta"). 

E uma curiosidade: o diretor artístico do Old Vic (teatro onde a peça está sendo apresentada) é Kevin Spacek, ator americano (Oscar por "Beleza americana"). Ele está há dez anos no posto, período em que conduziu uma renovação espetacular no histórico teatro. 

A peça fica em cartaz até o dia 30 de novembro. Ingressos para a peça podem ser reservados no site do teatro Old Vic aqui.

MUSICAL CABARET EM LIVERPOOL


O glamour decadente da Berlin pré-Guerra, a ascensão do Nazismo, a tensão sexual  - está tudo lá no maravilhoso musical Cabaret, que estava em cartaz aqui em Liverpool no Empire Theatre. Eu e o Mike fomos conferir o espetáculo - e adoramos ! O musical é um clássico que estreou na Broadway em 1966. Muita gente deve se lembrar do enredo a partir do musical homônimo, com Liza Minnelli, que fez um tremendo sucesso, conquistando diversos Oscars, há 41 anos. 


Will Young no papel principal

A peça conta a estória do relacionamento entre uma sonhadora jovem que canta num cabaré em Berlim e um escritor bissexual americano. O romance é embalado pelo ambiente político efervescente da cidade, que contrasta com a alienação dos frequentadores do cabaré. Nessa versão britânica do musical, a estrela é Will Young, que venceu a primeira edição do Pop Idol (um programa de competição entre cantores calouros semelhante ao X-Factor ). Ele faz o papel do mestre de cerimônias do cabaré; eu adorei também  a performance de Siobhan Dillon no papel imortalizado por Liza Minnelli. 

A músicas são imortais - me peguei cantarolando durante o espetáculo ‘Money Makes the World Go Round’, ‘Maybe This Time’ e, claro, a canção-tema ‘Cabaret’. O musical está percorrendo a Inglaterra: essa semana as apresentaçōes são em Manchester; depois a peça segue para Bristol e Oxford.


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Mais musicais

EDIMBURGO: FESTA DE TEATRO



O clima de festa em Edimburgo nesse mês é absolutamente contagiante. A principal rua da Old Town, a Royal Mile, está re-ple-ta de artistas tentando atrair público para seus espetáculos. Até o final do mês, como parte do Edinburgh International Festival, acontece o Festival de Teatro (chamado, simplesmente, de Fringe), que apresenta dezenas de peças: clássicos de Shakespeare, dramas, épicos, musicais... Mas o tipo de espetáculo que faz um enorme sucesso entre o público local são as stand up comedies, aqueles shows com um comediante sozinho no palco. As filas para comprar ingressos para essas produçōes são gigantescas. 

Segundo o jornal O Globo, o Brasil também participa da festa: terá uma mostra dentro da programação aberta do festival, com a apresentação de peças de grupos como Armazém Cia. de Teatro, Cia. Caixa de Elefante e Teatro Máquina.


A capital da Escócia vibra com cultura ! Algumas fotos de toda essa movimentação para vocês.


Vale tudo para chamar a atenção do público


Que tipo de show será que é esse ???
Eu no meio da muvuca...


É difícil escolher entre tantas ofertas de espetáculos de comédia

LONDRES: MUSICAIS EM WEST END


Um dos meus programas favoritos em Londres é assistir a musicais - e nessa última viagem não foi diferente. Eu e o Mike vimos dois espetáculos muuuuito bacanas: Top Hat e A Chorus Line. Ambos em cartaz na West End - a Broadway londrina -, os shows receberam críticas super elogiosas da mídia. E eu recomendo. 

Top Hat é baseado no filme homônimo estrelado por Fred Astaire e Ginger Rodgers em 1935 (no Brasil o filme é chamado de "Picolino") . Os dançarinos flutuam embalados pelas lindas músicas de  Irvin Berlin - e a gente tem vontade de sair dançando também. Com elenco afinadíssimo, o musical conquistou vários prêmios Oliviers - o Oscar do teatro inglês - e está em cartaz no Aldwych Theatre.



O outro musical que vimos foi A Chorus Line, no lindo London Palladium. O espetáculo estreou na Broadway em 76, fez imenso sucesso, arrebatou vários prêmios, teve versão para o cinema (com o Michael Douglas) e agora faz conquista Londres. A cena final, com os dançarinos perfilados, vestidos de smoking dourado, é linda! Veja palhinha aqui.

Leia também:

Londres: West End, musicais e peças de teatro

SPICE GIRLS EM MUSICAL


As Spice Girls estão de volta. Bem, não totalmente, mas de uma certa forma sim! Estreia em dezembro, em Londres, o musical Viva Forever!, baseado nos maiores hits da banda que sacudiu o Reino Unido e o mundo na década de 90. A peça não é sobre a vida das Spices, mas tem certa semelhança: conta a estória de um grupo de amigas que sonha com fama e decide participar de um programa de calouros (tipo o X-Factor). A trama inclui temas como amizade, busca de sonhos e, claro, celebridade. "Se você gostou de Mamma Mia!, vai adorar Viva Forever", garantiu Geri Halliwell, a Ginger Spice, ao jornal Daily Mail. O musical foi escrito pela atriz Jennifer Saunders, que ficou muito popular por aqui com a série 'Absolutely Famous ', nos anos 90.


As Spice Girls no encerramento
das Olimpíadas de Londres



As cinco Spices se reuniram e cantaram juntas recentemente na cerimônia de encerramento das Olimpíadas de Londres, em julho. Apesar das fofocas, elas juram de pé junto que são amigas e que as briguinhas publicadas pela mídia são irrelevantes, desavenças comuns entre amigas que se gostam como se fosse irmãs. Todas seguiram carreira solo - com diferentes níveis de sucesso - desde a separação do grupo, em 2000. A mais bem sucedida é, sem dúvida, a Posh Spice Victoria Beckham, que depois de casar com o igualmente celeb David Beckham, lançou grife de roupas e atualmente mora em Los Angeles com o maridão e seus quatro pimpolhos.

Viva Forever! estreia no dia 11 de dezembro no Piccadily Theatre. Os ingressos - que já são disputadíssimos - podem ser comprados aqui.

JUDE LAW E JUDI DENCH NO TEATRO EM LONDRES


Páre tudo que você estiver fazendo agora e corra para reservar seu precioso ingresso para assistir `Henrique V`, de Shakespeare, com Jude Law. A peça vai estar em cartaz no Noel Coward Theatre, em Londres, de 23 de novembro de 2013 até 15 de fevereiro de 2014. Parece longe, mas os ingressos já estão à venda. Se puder, reserve também para assitir à maravilhosa Judi Dench em `Peter and Alice`, do premiado John Logan, em cartaz em meados do ano que vem, no mesmo teatro.

 Mesmo teatro e mesmo diretor: Michael Grandage, responsável por mais três produções que também estreiam em 2013. É uma programação que tem tudo para balancar o bairro de West End, a Broadway londrina.

ASSISTIR PEÇA DE SHAKESPEARE AO VIVO

De volta à Liverpool, depois de passarmos uns dias em Londres (você confere a viagem aqui e aqui), eu e o Mike fomos assitir a "Henry V", montagem do Shakespeare's Globe Theatre Group. A peça, sobre a coragem de um rei que inspira seus soldados a uma brilhante vitória contra os franceses, é um dos clássicos do dramaturgo inglês e tem atraído um grande público ao Liverpool Playhouse, onde está em cartaz até sabado.

"Henry ", linda montagem de Shakespeare em Liverpool

Assistir Shakespeare em inglês antigo é difícil, não vou negar. Mas também uma experiência inesquecível, principalmente para alguém que gosta de teatro e já estudou um pouco sobre o autor. 



Aliás, começou na última segunda-feira (21, dia do aniversário de Shakespeare) uma grande celebração da obra e vida do dramaturgo: o Shakespeare World Festival, organizado pela Royal Shakespeare Company, sediada na cidade natal do autor, em Stratford-upon-Avon. O evento,  fruto de uma parceria da companhia com mais de 50 organizações culturais do mundo todo, patrocina cerca de 70 produções da obra do inglês até novembro. Clique aqui para informações sobre onde e quando acontecem as encenações, em diferentes línguas, em diferentes partes do planeta.

LONDRES: WEST END, MUSICAIS E PEÇAS DE TEATRO




Um dos meus lugares favoritos em Londres é West End, onde estou hospedada agora (no hotel Strand Palace). O bairro é repleto de pubs, restaurantes e cafés charmosos. E, que delícia, muitas livrarias ! Algumas enormes; outras menores (onde você pode ter a sorte de encontar aquele livro difícil que deseja há tanto tempo) ; há também as especializadas, como as de livros de arte, por exemplo; e os sebos - com descontos incríveis.


'Pura magia', 'Brilhante', 'Sedutora', diz a crítica do musical  'Stomp'

West End é a Broadway londrina - tem um teatro em cada esquina. Com luzes iluminando as fachadas e gigantescas cópias da melhores críticas publicadas pelos jornais na entrada do teatro - vale tudo para conquistar o público!!! 

Algumas das peças populares do momento em West End são "Master Class" (sobre a vida da cantora lírica Maria Callas) e os musicais "Blood Brothers", "Mamma Mia" e "Jersey Boys". Se você quiser ver algum musical bem tradicional, aquele que todo mundo assiste, como "O Fantasma da Ópera", "Les Miserables" ou " Chicago", tem também. Existem várias empresas que reservam´ingressos online, como aqui ou aqui.


'Singing in the rain': sucesso da temporada
Eu e o Mike assistimos dois musicais que fazem o maior sucesso na cidade: "Singing in the Rain"  e "Billy Elliot"- já falei de ambos aqui e aqui -. Os dois espetáculos são aclamados pela crítica especializada e, na minha opinião, quem tiver oportunidade, não pode, não deve perder. Os dois são baseados em filmes homônimos. "Singing in the Rain" (Palace Theatre) todo mundo conhece - quem não lembra daquela cena de Gene Kelly dançando de guarda-chuva na rua ?



Já o musical "Billy Elliot" , com música de Elton John, conta a inspiradora luta de um adolescente em busca de seu sonho. Enfrentando o preconceito da família e amigos, Billy abraça sua paixão pelo ballet e deixa para trás a cidade mineradora onde foi criado. (Ah, o musical está em cartaz no Victoria Palace Theatre, que não é no West End - estação de metrô Victoria Station)´.


'Mousetrap' : 60 anos rm cartaz


Fomos ver também um clássico do teatro em Londres: "The Mousetrap", da Agatha Christie, há 60 anos em cartaz !! A origem da peça é interessante: a rainha Mary, que ia fazer 80 anos, foi perguntada por um repórter da BBC qual seria o evento - ópera, ballet, concerto - que ela gostaria de assistir para celebrar o seu aniversário. Para surpresa de todos, a rainha respondeu que adoraria assistir a uma peça de Agatha Christie. A escritora não se fez de rogada e presenteou a monarca com uma produção chamada "The Three Blind Mice", que deu origem á "The Mousetrap". A peça pode ser vista no St. Martin Theatre. O enredo da peça é típico de Agatha Christie: num pacato hotel no interior da Inglaterra acontece um assassinato. Quem é o criminoso ?


Vimos ainda uma comédia inspirada no livro, de John Buchan, de  "The 39 Steps" (no Criterion Theatre) A peça rendeu um filme dirigido pelo mestre do suspense Alfred Hitchcock (mais tarde foram feitas duas refilmagens).  Muito engraçada e também premiadíssima. Mas, assim como acontece na "Mousetrap",  você precisa ter um bom nível de inglês para poder entender os diálogos - não tem música e dança para ajudar a compreensão do enredo.



O público no Palace Theatre
Os teatros em West End são geralmente antigas construções; o Palace Theatre, onde está em cartaz 'Singing in the Rain', por exemplo, foi inaugurado em 1891.  Dependendo do tamanho do teatro em si, você pode escolher um lugar na platéia (stalls), balcões (dress circle ou grand circle) ou galerias (balcony). Nos intervalos, muita gente vai até o bar - sempre tem um bar no teatro - bebe algum drink ou toma cervejinha.

O que também é muito comum quando o teatro é grande (ou seja, tem muito público assistindo a peça) é, antes do espetáculo, reservar seu drink para tomá-lo no intervalo. Quando o intervalo chega você pega seu drink que é deixado num balcão com um número. Ninguém pega o seu drink, é claro. Viva a organização britânica!!

Nada que um par de binóculos não resolva

E é claro, que quanto mais perto do palco, mais caro fica o ingresso. Mas se você ver algum detalhe e tiver meio difícil, não se preocupe; é só alugar um par de binóculos, por cerca de 1 libra.

PEÇA DE TEATRO INTERATIVA NA INGLATERRA


O caderno Boa Viagem do jornal O Globo publicou recentemente uma matéria que eu escrevi sobre um passeio muuuito bacana que eu e o Mike fizemos aqui na Inglaterra: nós participamos de um "Murder Mystery Weekend" - que pode ser traduzido como um "Fim de Semana de Assassinato Misterioso". Trata-se de um espetáculo para lá de interativa e com um enredo que envolve muito suspense, assassinatos e detetives. Para quem gosta de histórias da Agatha Christie, é um programa imperdível.  

O espetáculo acontece num hotel e dura um fim de semana in-tei-ro. Isso mesmo : começa no sábado à tardinha e termina domingo de manhã. Desde o momento em que você faz o check-in no hotel (porque você tem que se hospedar no hotel para participar) você já está 'dentro' do espetáculo : conhecendo os personagens, testemunhando os crimes e, principalmente, bancando o detetive, analisando pistas e tentando descobrir o assassino.

A peça em que eu e Mike participamos aconteceu no Hotel Shakespeare, na bucólica Stratford-Upon-Avon. Se é para participar de um crime na Inglaterra, nada melhor que um numa cidadezinha pacata, não é mesmo?

O enredo da festa envolve sempre uma festa - que pode ser casamento, Natal, vernissage - na qual acontece o assassinato. A nossa festa era a fantasia: os suspeitos estavam fantasiados de vilões, é claro : Curinga, Cruella, Diabo.

Cruela foi uma das vilãs da festa a fantasia


Esse foi o 'assassinato' que aconteceu durante a festa
que eu e o Mike participamos 
A peça é sempre dividida em duas partes: começa com um coquetel no sábado à tarde, quando todo mundo se conhece e o público vai se desinibindo e entrando no clima do espetáculo-participativo. No mesmo dia, à noite acontece a tal festa - que é o grande evento, pois é quando acontece o crime. O espetáculo prossegue na manhã seguinte, quando após intensas investigações o mistério é solucionado por um detetive no melhor estilo Hercule Poirot. O ingresso inclui, portanto, também uma noite de hospedagem no hotel.

É tudo falado em inglês, mas não difícil para quem tem um nível intermediário de entendimento da língua. Os diálogos entre os atores são curtos e tem muita ação - ou seja: é uma chance imperdível de praticar a língua!


O público participa o tempo todo, interagindo com os atores, tentando decifrar pistas, analisando os suspeitos. Para quem sempre sonhou em participar de uma estória à la Agatha Christie, é  um prato feito!!!


TEATROS EM LIVERPOOL

Balé, musicais, recitais, shows de rock. Os teatros de Liverpool oferecem de tudo a um público eclético e ávido por diversão e arte. O Empire Theatre, na Lime Street, foi inaugurado em 1925. Com capacidade para 2.500 pessoas, é um dos maiores do país.

The Empire Theatre: palco de apresentações até dos Beatles


Na Williamson Square fica um teatro ainda mais antigo: o Playhouse, que abriu as portas pela primeira vez em 1866. Por lá já se apresentaram alguns dos mais famosos atores ingleses, como Richard Burton, Vanessa Redgrave e Anthony Hopkins.

Payhouse: peças com Richard Burton e Anthony Hopkins

O Liverpool Philharmonic Hall é a sede da orquestra filarmônica da Cidade. Construído na década de 30, o prédio em estilo art déco tem capacidade para um público de 1.790 pessoas e localiza-se na Hope Street.

Liverpool Philharmonic Hall: sede da música clássica

Echo Arena: capacidade para 7.500

A modernosa Echo Arena tem uma localização privilegiada em Liverpool: o Albert Dock, que como já expliquei aqui, é um lindo espaço de lazer dos moradores da cidade. Inaugurada em 2008, a Arena tem capacidade para 7.500 pessoas e já foi palco de shows de Lady Gaga, Rhianna e Beyoncè, entre outros artistas.



GAROTAS DO CALENDÁRIO EM BIRMINGHAM


Tinha tudo para dar errado. Sete mulheres de meia idade, nenhuma delas parecendo uma, digamos, Gisele Bunchen madura, decidem posar nuas para um calendário. A causa era nobre, vale dizer - conseguir verbas para equipar um hospital oncológico. Tinha tudo para dar errado, mas não deu. O caledário vendeu para caramba, o hospital ganhou seu equipamento e todos viveram felizes para sempre. Essa estória real rendeu frutos: um filme - não sei se vocês viram, mas é muito bacana - e  agora um musical de sucesso. "Garotas do Calendário" já ganhou diversos prêmios e e está em curta temporada - de amanhã até 4 de fevereiro - no Hippodrome, em Birmingham.