SPEAKERS' CORNER, NO HYDE PARK


Muito antes do Twitter e do Facebook, quem quisesse expressar uma opinião, criticar uma instituição ou simplesmente lançar uma polêmica em Londres já contava com uma plataforma bem prática ao seu dispor: simplesmente subia num banquinho na esquina do Hyde Park conhecida como Speakers' Corner e soltava o verbo. O local, inaugurado em 1872 e que funciona até hoje, é um espaço super democrático. Por lá passam pessoas de todas as fés e ideologias: nacionalistas, vegetarianos, comunistas, feministas, religiosos, pacifistas. Cada um defendendo o seu ponto de vista ; é o direito ao free speech.

Mas por que eles têm que subir num banquinho? Bem, segundo a tradição britânica, o orador pode fazer discursos criticando qualquer um, com exceção da Família Real e do governo inglês, contanto que nao esteja pisando em solo inglês. O banquinho pode ser substituído por um caixote ou uma escadinha - o que importanta é o orador estar acima do solo. 

Que tradição mais peculiar né? Bem ao estilo do país. Claro que muita gente que passa pelo parque ára para ouvir quem está pregando. E é claro que, eventualmente, alguns doidinhos aparecem por lá...

O espírito todo peculiar do Speakers' Corner é capturado no delicioso livro do fotojornalista Philip Wolmuth, que mostra fotos e fragmentos de muitos dos discursos proferidos ao longo de 35 anos. O livro, que se chama simplesmente Speakers' Corner, foi lançado no último mês no Reino Unido 

A foto do início do post é do livro de Wolmuth e foi publicada pelo jornal The Guardian

O QUE FAZER COM AS CRIANÇAS EM LIVERPOOL ?

Liverpool é uma cidade com várias opçōes culturais para a criançada. No último fim de semana, eu fui conferir de perto os que os museus e centros culturais da cidade oferecem para pais e seus filhotes. Hoje vou dar algumas dicas de atividades bem bacanas - todas grátis !



1. O playroom  da Walker Gallery é um espaço ideal para pais e crianças de até 5 anos. (Para quem não lembra, a Walker Galley é uma das mais importantes galerias de arte do país - e vale um passeio com calma). O playroom ( esse dá foto acima) foi projetado para introduzir a criançada ao mundo arte - o que é feito de maneira muito lúdica e divertida. Há muitos livros infantis disponíveis para leitura; fantasias para os que têm vontade de se vestir e brincar como rei, princesa ou fada; um mood room - um ambiente onde os pequenos exploram sons e cores; e até mesmo um palco para show de marionetes. E, claro - como não podia deixar de ser -  os crianças são incentivada a colocar a mão na massa, usar pinceis e lápis de colorir e produzir desenhos, que depois de prontos são expostos numa galeria infantil ali mesmo. 



Há atividades fixas que acontecem todas as semanas - como a toddler time - para crianças de até 2 anos; e a rhyme time, em que a criançada pratica rimas de músicas conhecidas. 

Há recreadoras no espaço, mas elas não estão ali para tomar conta das crianças - e sim organizar e encorajar atividades. Ou seja: as crianças só podem ficar acompanhadas por um responsável. Aberto diariamente, das 10h até às 5h e é grátis.

2. Do lado da Walker Gallery, localiza-se um outro espaço espetacular para levar as crianças, especialmente as maiores de 4 anos: é o World Museum. O museu reúne um lindo Aquarium (com todos os tipos de peixes que você possa imaginar), um planetário,  esqueletos de dinossauro, além de coleçōes de insetos ( a horripilante Bug House). É uma verdadeira aula de ciência. 


Dinossauros e Aquarium no World Museum em Liverpool

O museu está permanentemente repleto de crianças - acompanhadas dos pais ou  com os professores, aproveitando um passeio escolar. Ou seja: tem uma vibração muito boa !
Aberto diariamente, das 10h até às 5h. De graça.


No verão acontecem muitas atividades para as crianças no lindo jardim do Blue Coat 
3. A minha terceira dica acontece são as sessoes de leitura que acontecem regularmente no Blue Coat - um centro Cultural no coração da cidade. No dia em que eu estive lá, o livro  que estava sendo lido era " Vinte Mil Léguas Submarinas", de Julio Verne. Já num outro dia aconteceu uma sessao de leitura numa tenda - no lindo jardim do Blue Coat - tudo para favorecer o clima do livro de aventuras "Tales in the Tipi"... 



E como nunca é cedo demais para começar a aprender a gostar de ler, o Blue Coat está organizando em april um Baby Club para bebês de até um ano. O evento tem duração de 10 semanas e inclui cá e bolo para os pais.

E quem lê os livros para as crianças? Como eu já expliquei aqui, a prática de storytelling é bem forte na Inglaterra. No Blue Coat, muitas das estórias são contadas pelos participantes do grupo Liverpool Storytelling - profissionais na arte de ler estórias, interpretando-as e tornando-as fascinantes para quem as escuta. Aliás, o grupo faz workshops regulares no Bluecoat para ensinar a arte de contar estórias. 

LONDRES CELEBRA LITERATURA


Olha que bacana ! - uma exposição em Londres está celebrando a literatura britânica de uma forma no mínimo original: livros como Sherlock HolmesPeter Pan e até mesmo Bridget Jones inspiraram a produção de 50 bancos que estão enfeitando as ruas da capital. Os bancos trazem ilustraçōes das estórias -  como esse da foto acima, que é inspirado em Peter Pan.

Shakespeare, é claro, não podia, estar de fora do projeto
Até as aventuras de Bridget Jones  são lembradas num banco

Artistas plásticos, cartunistas e ilustradores participam do projeto, que pretende promover a leitura entre crianças e adolescentes. Em outubro, os bancos vão ser leiloados e a renda revertida para um projeto do governo que combate o analfabetismo. 

DESMITIFICANDO SHAKESPEARE


Quem tem medo de William Shakespeare? Parece que todo mundo... O escritor britânico é considerado 'literatura difícil', inacessível e elitista - quem entre nós pode garantir ter lido (de cabo a rabo ) pelo menos uma peça do escritor britânico?? No entanto, suas estórias, que tratam de sentimentos atemporais como amor, ciúme, inveja e ambição, têm fascinado o público há mais de quatrocentos anos. Você pode não ter lido 'Romeu e Julieta' na íntegra, mas provavelmente conhece muito bem a estória ou viu um filme, série na TV, música ou balé inspirado na peça.

Para desmitificar o escritor britânico, o jornalista Ben Crystal, da BBC Radio 5, acabou de lançar o livro "Shakespeare on Toast ".  Crystal lembra que considerado high literature hoje, Shakespeare era, na época dele, um autor de massas. Suas peças eram encenadas para uma platéia muito barulhenta, que falava muito durante o espetáculo e exagerava na bebida. Segundo ele, ir ao teatro naquela época era mais ou menos como ir a um jogo de futebol num estádio hoje. 

O livro é muito interessante, eu recomendo, e foi minha leitura durante o passeio que fiz à Stratford-Upon-Avon, cidade natal de Shakespeare. Já conhecia a cidade, que é lindinha - escrevi sobre a minha primeira visita aqui
Shakespeare por toda Stratford: trechos de peças encenadas no jardim;
painéis com as estórias e, claro, lembrancinhas como imãs de geladeira

Stratford vive em função da tremenda fama e fascínio que o escritor exerce sobre o público.  Nas ruas da cidade, você cruza com artistas encarnando o escritor; assiste a curtas encenaçōes de suas peças; se encanta com murais sobre as peças; é convidado a votar no personagem favorito (Hamlet ou Romeu?)... 
Passeio em Stratford: votando no personagem favorito; vestindo chapéu da época e
encontrando Shakespeare no meio da rua...


HISTÓRIAS PARA ADULTOS


A última vez que alguém leu uma história para mim eu era uma criança. Mas aqui na Inglaterra, leitura de contos não é privilégio das crianças não - está crescendo o número de lugares  (geralmente galerias de arte e centros culturais) que oferecem sessões de  'story telling ' (leitura de histórias) para adultos. Elas são narradas por atores, escritores e outros artistas. E o público faz igual às crianças: se esparrama pelo chão em almofadas e entra no clima da estória. 

Segundo Jane Davis, do Reader Organizations, os participantes gostam da idéia de partilhar a experiência de se envolver com uma história. E parecem que eles gostam mesmo: no B &B ( tipo de hotel  na Inglaterra) 40 Winks, em Londres, as histórias fazem sucesso entre os hóspedes, que se espalham pelo chão do salão do hotel, vestidos de pijamas e com uma taça de vinho na mão. 

No site Pin Drop, os interessados podem conferir as datas para algumas dessas sessōes de leitura. 

FIM DE 'POIROT' NA INGLATERRA


Um dos mais antigos programas da televisão britânica chega ao fim hoje. "Poirot", transmitido pela ITV há 25 anos, é, claro, baseado nas aventuras do famoso detetive belga, personagem mais popular dos livros de Agatha Christie. Quando o episódio 'Curtain' ("Cai o pano", em português) for ao ar às 9 da noite, Poirot estará solucionando o último caso de sua carreira.

Ao todo, foram adaptados para a série todos os livros e contos em que o detetive aparece (cerca de 70). O ator David Suchet , esse da foto, que viveu o belga em todos esses episódios, reconhece que é difícil se despedir do detetive. Talvez seja para tentar amenizar a tristeza que ele lançou recentemente o livro "Poirot and me " em que narra sua convivência com o personagem e o backstage do trabalho na TV. 

Mas quem sabe esse não seja o fim de verdade da série? Recentemente foi divulgado que a família da Agatha Christie concordou com a publicação de um novo livro da série Poirot - 38 anos após o último ter sido lançado. Quem vai escrever o romance será a autora de histórias policiais Sophie Hannah.   

Agatha Christie, que morreu em 1976, vendeu mais de 2 bilhōes de livros (!) no mundo inteiro - além de inúmeras adaptaçōes no teatro, TV e cinema. 

Leia também:

Ingleses adoram histórias policiais
Participando de uma peça policial interativa

IAN McEWAN E O BRASIL


Eu adoro os livros do escritor britânico Ian McEwan. Os meus favoritos são "Na Praia" e "Reparação " - esse último rendeu filme Oscarizado com a Keira Knightley. Pois bem, o autor, que participou no último fim de semana do festival literário FlipSide, no vilarejo de Snape Maltings (em Suffolk), falou um bocado sobre o Brasil em entrevista à BBC. Ele disse que um dia vai fazer um dos seus personagens "se perder em São Paulo - ou se maravilhar. Ou ambos".  E ainda elogiou o romance Tempo Perdido, da autora brasileira Tatiana Salem Levy. 

A Flipside - evento que Ian McEwan participou - é uma celebração da riqueza cultural brasileira. O inglês foi destaque no festival, participando de uma mesa redonda com o também maravilhoso escritor brasileiro Milton Hatoum (se você ainda não leu "Dois Irmãos" compre hoje !). O  festival brasileiro incluiu não apenas literatura, mas também música, dança e gastronomia. 

CAMPANHA PROMOVE LIVRARIAS


Uma campanha muito bacana e que eu apóio totalmente é a Books Are My Bag, que encoraja as pessoas a frequentarem as livrarias de seus bairros e comunidades. A campanha celebra as livrarias, lembrando  que são, na verdade, não apenas um local para comprar livros, mas para encontrar os amigos, tomar um chá, bater papo, trocar idéias (as livrarias sempre têm um café por aqui). Ou seja: um lugar para tentar esquecer um pouco Facebook, twitter, smartphones, tablets e laptops... 

Recentemente, a campanha promoveu a BigBookshop Party, convidando o público a visitar a sua livraria preferida - e foi bem isso que eu fiz. 



Que bacana ! Dezenas de adolescentes felizes na tarde de autógrafo
 do escritor Derek Landy, na livraria Waterstones

Eu fui à Waterstones (já falei dela aqui) e fiquei alegremente surpresa em ver uma fila gi-gan-tes-ca de adolescentes na porta da livraria. Era a tarde de autógrafo do autor irlandês Derek Landy e todos estavam aguardando para conseguir um autógrafo (e uma foto) ao lado do escritor. Derek escreveu a série de livros do detetive Skulduggery Pleasant que - eu não sabia e aprendi - é um dos favoritos da garotada. 



FESTIVAL JANE AUSTEN

Não é à toa que a escritora inglesa Jane Austen arrebata, ainda hoje, quase 200 anos depois de sua morte, milhares de leitores no mundo todo, e de todas as idades. Relendo "Persuasion"( "Persuasão") , seu último romance, fico fascinada em perceber a fina ironia de Austen ao descrever as convençōes e códigos sociais da Inglaterra rural do inicio do século 19 - daquela vida que ela conhecia tão bem:  repleta de visitas à vizinhança, bailes, passeios, comes e bebes e, especialmente, muita fofoca de salão. 



O Jane Austen Festival, que acontece a partir de hoje até o dia 21, na cidade de Bath, é uma celebração a essa autora tão talentosa. Esse ano, o evento promete ser super especial; afinal comemora-se os 200 anos de "Orgulho e Preconceito". A programação é intensa: recitais, bailes, desfiles da moda da época e até mesmo aula de etiqueta ! O ponto alto é um baile, com apresentação de dançarinos que deixariam Ms Austen encantada. O que é mais bacana: todo mundo se veste como manda o figurino da época: mulheres com vestidos de cinturas alta e mangas mais curtas, estampados delicados, tecidos mais leves e muita cor branca.  Os homens, com roupas escuras, brocados dourados e golas rebuscadas.

Mas se esses nove dias de Austenfolia não são suficientes para você, eu tenho uma outra sugestão. Que tal visitar o Jane Austen's House Museum ? Foi lá que que ela escreveu  "Mansfield Park", "Emma" e "Persuasão" e viveu até sua morte, em 1817. Lá você pode ver a escrivaninha da autora e seus manuscritos, entre outras peças.

Leia também: 

Exposição da moda da época de Jane Austen
Locação filmes na Inglaterra
Baile com Jane Austen

BIBLIOTECA DE LIVERPOOL: REFORMA ESPETACULAR


Depois de três anos de reforma e um investimento pesado de 55 milhōes de libras, a Liverpool Central Library (Biblioteca Central) finalmente reabriu suas portas ao público. A reforma equilibrou lindamente as características históricas do prédio de 153 anos e das belíssimas salas de leitura com um ousado projeto arquitetônico. Eu e o Mike visitamos a biblioteca essa semana e saímos de lá com nossas carteirinhas de leitura; vamos virar visitantes assíduos. 


Modernidade : visão em espiral dos cinco andares do prédio
Ao pisar na biblioteca o visitante logo se encanta com o saguão principal, onde uma escada  conecta os cinco pavimentos dispostos em espiral pelo prédio. Todas as facilidades high tech estão à disposição dos visitantes nesse ambiente: computadores para consultas e pesquisas; paineís eletrônicos com informaçōes variadas e central para check in e check out de livros. 



Um dos objetivos do projeto de reforma era esse mesmo: garantir um espaço generoso onde o público pudesse acessar com facilidade e conforto o impressionante acervo de mais quatro milhōes de livros, jornais e documentos históricos. O último andar dá acesso ao roof terrace, com vista para o bairro.  "Queremos atrair a população. - uma biblioteca precisa de leitores. Decidimos, então,  pelo "wow factor "(algo como "um tchan"), disse a bibliotecária-chefe Joyce Little aqui.

Ao lado desse saguão modernoso, o ambiente é outro, mais tranquilo e acolhedor. A linda sala de leitura Picton Reading Room é belíssima !


Linda sala de leitura (Mike fazendo pose)
Olha que bacana: no chão, na entrada, nomes de clássicos da literatura internacional

A Central Library, que se estende por 8 mil metros quadrados, foi um dos primeiros prédios públicos a serem inaugurados na cidade (em 1860) e a primeira biblioteca, na Grã-Bretanha, a introduzir uma novidade: a instituição emprestava livros. Até então, os visitantes tinham que ler as publicaçōes no local - ninguém podia levar o livro para casa. Apesar de histórico, o prédio vinha sofrendo um processo de deterioração incrível.  Esse projeto de renovação da biblioteca é do badalado arquiteto Austin-Smith:Lord. Se você curte arquitetura, aqui você assiste a um vídeo do processo da reforma. 

A biblioteca é situada no centro da cidade, numa área de patrimônio da humanidade pela Unesco, ao  lado de outros igualmente lindos prédios históricos como o St George's Hall. Vale mesmo a visita !

O The Guardian de sábado fez uma matéria bem interessante afirmando que está acontecendo um boom de bibliotecas no Reino Unido no momento. Além da Central Library em Liverpool, bibliotecas em Brighton, Birmingham, NewCastle, Glasgow, entre outras cidades, têm sido renovadas. 

LIVRO SOBRE GEORGE ORWELL


Uma notícia bacana para os fãs do britânico George Orwell (1903/1950): acaba de ser lançado no Brasil o livro "Uma vida em cartas", que reúne correspondências trocadas entre o autor de clássicos como "1984" e "A Revolução dos Bichos" e amigos, editores e parentes que influenciaram sua produção literária. A obra contextualiza a trajetória política, familiar e profissional de Orwellexplora alguns episódios polêmicos de sua vida - como a participação na Guerra Civil Espanhola  -  e expõe as origens de seus trabalhos mais famosos. Custa cerca de R$ 45,00, pela Companhia das Letras.

MR DARCY E AS BRASILEIRAS


Recentemente, a antropóloga Miriam Goldenberg, especialista em relacionamentos afetivos, amor e sexo, explicou ao jornal A Folha de São Paulo porque o personagem Mr. Darcy, do romance "Orgulho e Preconceito", da inglesa Jane Austen, de 1813, continua até hoje seduzindo tantas mulheres brasileiras. Segundo Miriam, Mr. Darcy está no imaginário feminino romântico por ser um homem que fez tudo o que era possível para que a mulher por quem estava apaixonada - a personagem Elizabeth Bennet - acreditasse na sinceridade de seu amor. A  antropóloga, que baseia-se nas pesquisas que desenvolve sobre sedução, explica que:

"As mulheres querem um homem que lute para conquistá-las passo a passo, sem pressa. Um homem que não desista em função das dificuldades, preconceitos e obstáculos. Um homem que reconheça que a mulher amada é especial, mesmo sabendo que existe um mercado matrimonial e sexual extremamente favorável para ele, com a oferta de mulheres cada vez mais jovens, mais magras e mais bonitas. Um homem que podendo ter todas as mulheres do mundo, escolheu uma única. Um homem fiel que resista ao assédio de outras mulheres. Um homem que saiba como seduzi-las com pequenos e delicados gestos de amor. Um homem que demonstre cotidianamente que a amada é insubstituível e inesquecível". 

Um viva ! aos Mr. Darcys de nossas vidas... O meu é britânico e se chama Mike... 

FLIP INSPIRA EVENTO NA INGLATERRA



Olha que bacana: a Festa Literária Internacional de Paraty, (Flip) no Estado do Rio, que acontece a partir de hoje, atravessou o Atlântico, e inspirou um evento na Inglaterra.  É o Flipside - uma celebração da riqueza cultural brasileira que acontece de 4 a 6 de outubro em Snape Maltings, Suffolk, na costa leste do país.  


A programação inclui não apenas literatura, mas também música, dança e gastronomia. Entre os destaques, um concerto em homenagem à Bossa Nova; debates que juntarão no palco o brasileiro Milton Hatoum e o inglês Ian McEwan (ambos escritores); apresentação de Adriana Calcanhotto; exposições e sessões de capoeira. 

O mundo dá voltas mesmo: a Flip, que hoje dá frutos nesse festival na Inglaterra, foi inspirada em um festival britânico, o Hay Festival, que acontece todos os anos na pequena cidade de Hay-on-Wye, na divisa do País de Gales com a Inglaterra. O evento, que dura dez dias, acontece entre o fim de maio e o começo de junho, e movimenta a cidadezinha, que tem cerca de mil habitantes. Assim como Paraty, as livrarias, hotéis, cafés e restaurantes ficam lotados de visitantes amantes de literatura. E escritores famosos fazem palestras, workshops e tardes de autógrafos.

O MAIOR SEGREDO DA INGLATERRA?


Será esse o mais bem guardado segredo da Inglaterra? Segundo o recém publicado livro The King’s Deception, de Steve Berry, a rainha Elizabeth I, que reinou no século XVI,  na verdade - vejam só ! - teria morrido aos 10 anos de idade e sido substituída por um jovem plebeu - que foi coroado e viveu como se fosse a verdadeira monarca por toda a sua vida.

O livro defende a seguinte teoria: aos 10 anos de idade, Elizabeth ficou seriamente doente.  Por determinação de seu pai, o rei Henrique VIII, foi levada para a pequena cidade de Bisley (na região rural de Cotswolds), para se recuperar. No entanto, o pior aconteceu: a jovem princesa não resistiu e faleceu. Temendo a reação e ira do rei,  quando soubesse da notícia da morte de sua filha favorita, a governanta da princesa (Lady Kat Ashley) e seu tutor ( Thomas Parry) decidiram armar a farsa. Um jovenzinho do vilarejo assumiu a identidade da princesa e assim permaneceu até sua morte.  Henrique VIII nunca teria desconfiado da verdade.


A atriz Cate Blanchett viveu Elizabeth nas telas

A farsa teria dado certo porque Elizabeth era uma menina muito tímida, que jamais falava diretamente com seu pai, um homem de temperamento muito difícil. Segundo o livro, o rei - que já havia mandado decapitar a própria mãe de Elizabeth, Ana Bolena, por adúltério - certamente teria ordenado a execução dos responsáveis pela saúde e bem estar de Elizabeth, se soubesse que a princesa havia morrido.  

Será essa a verdadeira história de Elizabeth, conhecida como a Rainha Virgem, que já foi celebrada em inúmeros livros, peças e filmes (encarnada por atrizes como Cate Blanchett e Helen Mirren) ?

COFFEE TABLE BOOKS INSPIRADORES


Para quem gosta de moda acabou de sair do forno um livro super bacana: Phillip Treacy, by Kevin Davies. Phillip é o chapeleiro favorito da realeza, de muitas celebridades e também da turma fashion - no livro há fotos tanto da Princesa Anne como da top Naomi Campbell vestindo modelitos do irlandês. São chapéus sofisticados, esculturais - para clientes que não têm medo de chamar a atenção. Já falei aqui do designer, que é irlandês, mas mora e trabalha em Londres há decadas.

O livro é um coffee table book - como são chamados aqui aqueles grandes, de capa dura e repletos de fotos maravilhosas e inspiradoras  - ideal não apenas para ler com calma, apreciando a qualidade das fotos, mas também para decorar a mesa de centro na sala. No Brasil, esses livros são super caros, por aqui são mais acessíveis, então é comum comprá-los para dar de presente. A mídia, regulamente, faz um ranking dos melhores coffee table books. A seguir, mais duas dicas que eu assino embaixo:


O dia-a-dia do Royal Ballet é revelado no livro

1. Dancers, Behind The Scenes With The Royal Ballet, de Andrej Uspenski. O autor, um dos dançarinos da companhia, reuniu cerca de 200 fotos que tirou de ensaios, bastidores e apresentaçōes, revelando um lado quase nunca visto desta que é um dos melhores grupos de ballet do mundo. Eu estou louca para comprar.



2. English Decoration :Timeless Inspiration for the Contemporary Home, de Ben Pentreath. Esse livro eu tenho e adoro! O autor, um arquiteto londrino badalado, investiga, através de fotos lindas de dezoito casas - de membros da aristocracia, artistas e designers. 

PARA ENTENDER O TUBARÃO DE 12 MILHŌES DE DÓLARES



Eu não sei se isso acontece com vocês, mas eu fico sempre abismada com os preços que algumas obras de arte atingem em leilōes, especialmente quando acontecem em casas famosas como a Christie's, em Londres. Mestres como Picasso, Van Gogh produziram realmente quadros lindos - mas alguém pode me explicar como um tubarão de 5 metros de comprimento e duas toneladas, mantido numa tina com formol e que estava começando a se decompor pode ter sido vendido por $ 12 milhōes????!!!  Isso aconteceu em 2004, e a 'obra' era do britânico Damien Hirst (esse aí da foto com o tubarão), um super polêmico astro do mercado das artes. Astro porque suas peças atingem cifras impressionantes. E (super) polêmico, porque nem todo mundo aprecia sua arte - alguns críticos na verdade desprezam sua produção. 

Bem, para tentar entender esse mercado louco, comprei dois livros: Seven Days In The Art World, de Sarah Thornton, e The 12 Million Dollar Stuffed Shark: The Curious Economics of Contemporary Art, de Don Thompson. Ambos exploram e explicam esse complexo mundo - sua organização, articulação e funcionamento.


Le Rêve, vendido por 120 milhōes de euros, é o Picasso mais caro mundo

Colunista da prestigiosa revista britânica The Economist, Sarah afirma que a arte contemporânea se tornou um entretenimento de massa, mas, paradoxalmente, é ao mesmo tempo um artigo de luxo e, para alguns, até mesmo uma religião. O livro analisa o mercado do setor e seus personagens -  artistas e, principalmente, marchands poderosos. Um deles é o uber-dealer  americano Larry Gagosian, cujas 12 galerias (localizadas em várias cidades do mundo) têm um rendimento de 1 bilhão de dólares por ano (!), exibindo nomes como Picasso, Matisse e Lichtenstein em mostras que competem com as dos maiores museus de Londres. Mesmo tendo sofrido grandes perdas nos últimos anos - entre os artistas que abandonaram o galerista está justamente Damien Hirst,  - Gagosian ainda é o maior galerista do mundo, capaz de elevar preços a patamares inimagináveis. É um livro super bom e está à venda (e traduzido) no Brasil.

Já o economista Don Thompson examina, no seu livro, a economia que move o mercado artístico. O título - The 12 Million Dollar Stuffed Shark: The Curious Economics of Contemporary Art - faz , claro, referência a obra-tubarão de Damien Hirst, vendida em 2004 por aqueles 12 milhões de dólares. No livro, Don busca entender as engrenagens de bastidores: o que faz um colecionador pagar tal preço? Quais as estratégias de grandes marchands? Como são conduzidas as carreiras - e negócios - dos mais famosos artistas? O que faz artistas desconhecidos acontecerem rapidamente? O livro também está à venda no Brasil.


Leia também:

Here's How Damien Hirst Turned Making Money into Art Form ( Como Damien Hirst Transformou Produção de Dinheiro em Arte - um artigo bem bacana do Business Insider International. Em inglês)

LONDRES: GUIAS DE VIAGEM


Gosto sempre de ler guias ou livros sobre a cidade para onde vou viajar. Acho bacana reunir fatos, informaçōes e curiosidades sobre o lugar para "ir entrando no clima" do passeio. Na minha última viagem à Londres, na semana passada, não foi diferente. Apesar de já ter morado por um tempo lá, e visitado a cidade depois disso algumas vezes, decidi comprar dois livros que estava namorando há tempo: "The London Stlye Guide ", de Saska Graville. 



O "London Style Guide", como a autora mesmo define, não é um guia para iniciantes. Não explica quais são ou como chegar a pontos turísticos populares, como palácios, parques ou museus. A pegada é outra. Trata-se de uma guia de endereços secretos - lojas, restaurantes, pubs, livrarias e feiras que somente os moradores ou viajantes mais experientes conhecem - ficam muitas vezes escondidos em ruas menos movimentadas. A autora divide a cidade em 18 áreas e, para cada uma delas, sugere passeios imperdíveis, como a feira de Golborne Road. "Todo turista já ouviu falar de Portobello Market. mas quem é antenado de verdade vai mesmo é para Golborne Road, onde estão os maiores achados de decoração da cidade", garante a autora. Como eu quero ser antenada e moderna (rs), li o livro todo e fiz uma listinha de lugares para conhecer perto do hotel em que eu e o Mike ficamos hospedados.




Mas é claro que existem dezenas de outros guias de Londres. A maioria é focado no turista de primeira viagem à cidade, que precisa mesmo de dicas sobre os lugares a visitar, onde se hospedar, transporte etc. Mas existem muitos com dicas mais específicas - como sobre os melhores pubs na cidade, por exemplo. Dei uma olhadinha na prateleira destinada a esse tipo de publicação na Waterstone ( a minha livraria preferida em Liverpool) e constatei que o que não é faltam são opçōes. 

Já tinha comentado aqui sobre um outro livro sobre a capital inglesa: " Tired of London, Tired of Life", de Tom Jones, que reúne passeios geniais para cada dia do ano, levando em conta as estaçōes e eventos que acontecem na cidade.

TROCA DE LIVROS EM LIVERPOOL


Acontece até o final da semana que vem, em Liverpool, o "Spread the Love" ("Espalhe o amor"), um movimento que pretende encorajar a troca de livros pela cidade. A iniciativa, patrocinada pela editora Wordscapes, funciona assim: foram deixados, em lugares movimentados do centro da cidade, livros de diversos gêneros: suspense, romance, biografias etc. Você pode pegar qualquer livro emprestado que tiver vontade de ler; mas tem que deixar outro no lugar. 

Na foto, um tronco de mentirinha vira estante para os livros à disposição. É uma idéia bacana, né? 

MELHORES ESCRITORES BRITÂNICOS


Saiu a lista dos 20 melhores escritores britânicos com menos de 40 anos, de acordo com avaliação da influente revista literária Granta. Pela primeira vez desde a primeira edição da lista, há 30 anos, o grupo apresenta mais mulheres que homens. A outra novidade é que o background dos autores é bem internacional: a maioria tem ascendência de países como China, Nigéria, Gana, Estados Unidos, Bangladesh e Paquistão. Para a crítica literária Claire Armitstead, do jornal The Guardian,  "a bagagem internacional desses autores é fundamental para as estórias que contam e também contribui para o seu frescor estilístico". 

Alguns autores são famosos - como Sarah Hall e Zadie Smith (seu último romance,  "NW ",  foi aclamado pela crítica), outros razoavelmente conhecidos do público, como Adam Flouds,  e seis romancistas estreantes - ou seja, desconhecidos, como Sunjeev Sahota. 

A lista completa: Ned Beauman, Sunjeev Sahota, Naomi Alderman, Benjamin Markovits, Adam Thirlwell, Joanna Kavenna, Xiaolu Guo, David Szalay, Sarah Hall, Steven Hall, Adam Foulds, Tahmima Anam, Nadifa Mohamed, Jenni Fagan, Kamila Shamsie, Ross Raisin, Evie Wyld, Helen Oyeyemi e Taiye Selasi. 

SHERLOCK BATE RECORDE


Qual o personagem da literatura britânica mais popular nas telas de cinema e televisão? Acertou quem disse Sherlock Holmes. O personagem, criado em 1887 por  Conan Doyle, já apareceu em incríveis 254 filmes ou mini-séries na TV ! Michael Caine, Roger Moore e Rupert Everett são alguns dos 75 atores que já deram vida ao famoso detetive. "Sherlock é uma verdadeira instituição", garante Claire Burgess, da Guiness, que concedeu o título de personagem mais retratado nas telinhas e telonas. 


Roger Moore encarna Sherlock em filme de 1976
Tom Baker é Sherlock na mini-série super popular The Hound Of The Baskervilles (1982), com Terence Rigby (à esquerda), como Dr Watson
Em segundo lugar ficou Hamlet, personagem da peça homônima de Shakespeare, que já apareceu em 206 filmes.