EXPOSIÇÃO DE RUBENS EM LONDRES


Ainda dá tempo para ver uma das exposiçōes mais bacanas do ano: Rubens and His Legacy. A mostra, que fica até 10 de abril na Royal Academy no centro de Londres, apresenta obras do mestre Barroco e sua influência em artistas de estilos e épocas variadas - entre eles Rembrandt, Cezanne e Picasso (acima, a tela "Tiger, Lion e Leopard Hunt", de Rubens, de cerca de 1616).

Mais conhecido por seus nus femininos voluptuosos, Rubens pintou também muitas paisagens, cenas mitológicas e religiosas. Na exposição, as obras do pintor flamenco são agrupadas de acordo com seis temas - poder, compaixão, elegância, poesia, violência e luxúria - e posicionadas lado a lado de telas dos outros pintores que, de alguma maneira, se inspiraram nele. A exposição é mesmo magnífica, vale a pena !

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PROGRAMAÇÃO CULTURAL INGLATERRA 2015


Escrevi esse post pensando em todos que estão planejando uma viagem para a Inglaterra esse ano.  A programação cultural está espetacular : há muitas exposiçōes, peças de teatro, espetáculos de dança e musicais que a mídia considera imperdíveis.

ARTE

1. A exibição que eu não vou perder por nada desse mundo acontece na Tate Liverpool a partir de 30 de junho ( até 18 de outubro) é " Blind Spots ", com obras de Jackson Pollock, um dos mais geniais artistas do século XX. Referência mundial no movimento expressionista-abstrato, Pollock  (1912/1956) desenvolveu uma técnica em que respingava a tinta sobre suas imensas telas - a imagem aí de cima é de uma de suas obras : "  Yellow Islands", de 1952. 


Rubens: Pan and Syrinx (1617)

2. Mas quem quiser conferir uma super mostra não precisa esperar tanto. Uma das mais importantes exposiçōes do ano já está acontecendo na Royal Academy (Londres):  "Rubens and his legacy"  reúne obras do mestre holandês e de outros artistas geniais que foram influenciados por ele, como Cézanne, Picasso e Rembrandt. Segundo o jornal The Telegrapha exposição,  é absolutamente "fascinante". Até 10 de abril.

3. A Tate Modern - também em Londres - vai reunir obras da artista Sonia Delaunay, uma das figuras-chave do movimento avant-garde do início do século XX. De 5 de abril até 9 de agosto. 

4. Essa é para quem gosta de moda: o talentosíssimo designer britânico Alexander McQueen ganha exposição no Victoria & Albert Museum (Londres), de 14 de março até 19 de julho.

5. A britânica Barbara Hepworth ganha retrospectiva na Tate Britain, em Londres. A escultora pode não ser muito badalada no Brasil, mas é adorada na Inglaterra. A mostra acontece de 24 de junho até 25 Outubro. 


TEATRO:

1. Provavelmente o espetáculo mais badalado do ano vai ser Hamlet, com o ator Benedict Cumberbatch, que acabou de ser indicado para o Oscar de melhor ator. O Sherlock da TV vive o príncipe dinamarquês entre 5 de agosto a 31 de outubro. Imagine a correria que já deve estar acontecendo por um ingresso...


Kristin Scott Thomas vai viver a rainha Elizabeth

2. Mas a minha dica pessoal é assistir Kristin Scott Thomas ("O Paciente Inglês", "Quatro Casamentos e Um Funeral") no Apollo Theatre vivendo a rainha Elizabeth na peça The Audience. Kristin faz sempre muuuuuito sucesso no teatro - público e crítica adoram ela, que deve arrasar.  

3. O musical Bugsy Malone é um dos mais esperados do ano em Londres. Em cartaz de 11 de abril a 1 de agosto no teatro Hammersmith Lyric. 

DANÇA

1 Quem acompanha o blog sabe que eu adoro o Royal Ballet. A companhia, a melhor do Reino Unido, é sempre garantia de um espetáculo de qualidade impecável. Esse ano as produçōes são variadas - como o clássico Lago dos Cisnes, coreografias mais modernas como Four Temperaments e song of the Earth. Minha dica é checar aqui todas as opçōes.  


2.A companhia de Pina Bausch  apresenta pela primeira vez no Reino Unido duas produçōes inéditas : 'On the Mountain a Cry Was Heard' e 'Ahnen'. De 15 a 26 de abril no Sadler's Wells, em Londres. 

ANDY WARHOL NA TATE LIVERPOOL


 A Tate Liverpool organizou ontem uma tremenda festa no melhor estilo anos 70 para inaugurar a exposição Transmitting Andy Warhol, uma das mais esperadas desse ano no Reino Unido. Atendendo ao dress code sugerido no convite da festa, muitos convidados optaram por vestir calça boca de sino e sapatos plataforma. Fizeram muito bem - a música alta e o saguão do museu decorado com muito brilho lembravam o clima do estúdio 54, a lendária discoteca de Nova Iorque que o pai da arte pop americana tanto frequentava.

 A festa foi bárbara, durou cerca de 2 horas, mas o que todo mundo queria mesmo era ver a mostra. Espetacular, reúne 100 obras de Warhol, incluindo a famosa Marilyn Diptych, de 1962. 

Pintor, fotógrafo e cineasta, Andy Warhol foi um dos mais influentes artistas da segunda metade do século XXDescendentes de imigrantes tchecos, Warhol  (1928-1987) acreditava que arte é para todos. Com suas obras ele rompeu as barreiras entre high art e low art, usando conceitos do cotidiano e da publicidade - ele começou sua carreira como ilustrador de revistas e agências de propaganda.


Campbell's Soup Cans, de 1968

No seu livro de memórias "Popism: The Warhol Sixties", Warhol explica que a arte pop se caracteriza em produzir imagens que qualquer pessoa possa reconhecer em questōes de segundos. E foi isso mesmo que ele fez com suas obras :  utilizando tintas acrílicas, ele reforçou com cores fortes e brilhantes objetos comuns e de consumo - como garrafas de Coca-Cola e latinhas de sopa Campbell's (como na imagem acima).


Mao-Tse-Tung também serviu de inspiração para Warhol, em  1972

Igualmente famosas são suas serigrafias coloridas de celebridades da época, como Marilyn Monroe, Jackie Kennedy e Elvis Presley. Como cineasta (Warhol dirigiu mais de cem curtas e longa metragens), captou famosos (como o artista Salvador Dali), mas também anônimos - é dele a idéia que no futuro todos teriam direito aos seus 15 minutos de fama. 

A exposição da Tate Liverpool busca mostrar ao visitante como Andy Warhol utilizou os meios midiáticos que existiam na época para transitar entre os mundos da música (foi produtor da banda 'The Velvet Underground'), da moda (fez ilustraçōes para a Vogue e Haper's Baazar) , do cinema e das artes plásticas. A exposição da Tate, absolutamente imperdível, acontece até dia 8 de fevereiro.  

TURNER: FILME E EXPOSIÇÃO


Veja o filme, visite a exposição. Quem passeia pela Inglaterra pode fazer essa dobradinha assistindo a um dos filmes mais aguardados da temporada -  "Mr Turner ", que retrata os últimos anos de vida do pintor britânico JMW Turner (1775-1851) - e visitando a nova exposição do artista na Tate Britain. A foto acima é de uma cena do filme.

Turner é considerado um dos maiores pintores do Reino Unido e adorado pelo povo britânico. Ele retratou como ninguém as belíssimas paisagens da Inglaterra e também cenas marítimas, mas de uma forma inteiramente pessoal e avançada para a época. A maneira como utilizava luz e cores fez com que ficasse conhecido como precursor do movimento Impressionista - e, para alguns, até mesmo do Abstracionismo. A influência e o fascínio que exerce sobre crítica, público e artistas até hoje comprovam a vitalidade de sua obra. 

Só para vocês entenderem melhor, em 2012 eu vi, aqui na Tate Liverpool uma exposição absolutamente sensacional que explorava as semelhanças de estilo entre Turner e outros dois super famosos pintores que viveram e produziram suas obras em épocas posteriores ao britânico: o impressionista francês Claude Monet (1840-1926) e o artista abstrato americano Cy Twombly (1928-2011). 

Uso de luz e cores : antecipando o Impressionismo em  "Chichester Canal " (c 1828)

Mas voltando ao filme: a crítica britânica adorou; segundo o jornal The Guardian, o diretor Mike Leigh ( "Segredos e mentiras", "Agora ou nunca") fez uma narrativa brilhante sobre a vida de Turner, famoso por ser rabugento e excêntrico. O filme aborda a relação do artista com seu pai, seus relacionamentos amorosos e a difícil convivência com os outros artistas da época. O filme é meio longo (150 minutos ), a Veja achou cansativo, mas eu não vou perder mesmo !


"Sunset across the Park from the Terrace of Petworth House", 1827 

O diretor Mike Leigh já está cotado para o Oscar, assim como Timothy Spall, que brilha como Turner, e já abocanhou, com o papel, o prêmio de melhor ator no festival de Cannes esse ano (para quem não lembra, Spall é o Wormtail de Harry Potter). Em entrevista à Folha de São Paulo por ocasião do Festival de Cinema do Rio (quando o filme foi apresentado no Brasil), o ator afirmou que Turner era um homem misterioso - o que prova que "nem todos os gênios vem em pacotes bonitos e românticos. Ele era um homem bruto, de coração duro, mas possuía uma alma poética [...] um pintor do sublime, alguém que capturava a tensão entre a belezae o horror da natureza ". O ator explicou ainda que precisou tomar aulas de pintura dois anos antes de ensaiar. (Leia mais críticas do filme em português aqui

E a exposição? Bem, nada melhor que conhecer a obra de Turner ao vivo e a cores : a Tate Britain está apresentando a exibição "Late Turner" até 25 de janeiro. Como o nome sugere, a mostra reúne telas produzidas nos últimos anos de vida do pintor. Mas se você não vai estar em Londres a tempo de ver a exibição, não se preocupe, a galeria tem um acervo permanente super vasto com obras do artista. 

LONDRES: GIGANTESCAS ESCULTURAS COM LEGO


Olhe que interessante - o  artista Nathan Sawaya criou 80 gigantescas esculturas - como a figura acima - usando mais de um milhão de blocos de Lego ! As obras estão em exposição no Old Truman Brewery, em Londres, até 4 de janeiro.  Nathan é um ex-advogado que largou o escritório há dez anos para se dedicar à sua grande paixão na vida: arte. Tem dado certo: suas peças já foram mostradas em espaços diversos, como a Biblioteca do ex-Presidente americano Bill Clinton e o último álbum de Lady Gaga. Abaixo, algumas outras imagens dessas esculturas enormes:





BANKSY EM LONDRES : ARTE E CRÍTICA SOCIAL


Irreverente e contestador, o artista britânico Banksy não salva ninguém : suas pinturas e grafites fazem críticas à política, à sociedade de consumo e às neuras do mundo contemporâneo em geral. Banksy conquistou a fama, inicialmente, com seus grafites espalhados nas ruas de Londres, Bristol e Liverpool. A crítica social inteligente, que é marca registrada do seu trabalho, ajudou a elevar o status do grafite como forma artística.  E, como tudo que faz sucesso no mundo das artes, o preço de suas peças foram lá para as alturas:  para você ter uma idéia, um de seus murais foi vendido nos Estados Unidos por R$ 1,3 milhão. 

Eu e o Mike fomos conferir de perto o talento de Banksy na galeria da Sotheby's, em Londres. Adoramos ! Tirei fotos de algumas das obras, que compartilho aqui com vocês. 













COMPETIÇÃO DE ARTE EM LIVERPOOL


Uma das mais famosas competiçōes artísticas do Reino Unido acontece em Liverpool: é o John Moores Painting Prize, que está em sua XXX edição. Os 50 artistas finalistas estão expondo suas peças na Walker Gallery, uma das melhores galerias da cidade. O vencedor do prêmio vai ser conhecido em novembro. 
Os finalistas estão expondo suas peças na Walker Gallery
A peneirada para chegar nos finalistas foi boa:  2500 artistas enviaram à comissão julgadora seus quadros, instalaçōes e esculturas. Eu e o Mike visitamos a exposição com as 50 peças que estão competindo na fase final. O público pode dar sua opinião também, preenchendo o nome do seu favorito numa ficha que é colocada numa urna. O escolhido pelo público recebe um prêmio especial. 


Espaço na galeria para interação com o público. Os frequentadores fazem perguntas
 aos artistas e votam na sua peça favorita
Aliás, na onda interativa, a galeria montou uma área especial onde os frequentadores deixam suas perguntas aos artistas ( como, por exemplo: "De onde vem sua inspiração ?", "Como você intitula seus quadros?" ) e explicam a razão pela qual visitam exposiçōes de arte ("Para abrir minha mente", "Porque fui arrastado até aqui "rs ).

CAMA SUJA E DESARRUMADA VALE MAIS DE 9 MILHŌES DE REAIS


Quanto vale uma cama desarrumada? A cama mais famosa da arte contemporânea - a instalação My Bed, da foto acima, feita pela artista britânica Tracey Emin - , foi leiloada recententemente por 2.5 milhōes de libras - cerca de 9.8 milhōes reais !!! Isso mesmo ! A  obra de arte mostra a cama da artista não apenas desarrumada, mas suja, manchada com marcas de cigarro e expondo calcinhas manchadas de sangue, camisinhas usadas e garrafas vazias de bebidas alcóolicas. Foi produzida por Tracey em 1998, época em que a artista enfrentava uma dureza (para padrōes britânicos), vivendo numa council house (casa popular construída e alugada pelo governo a preço baixo).  

Tracey descreve a peça como um auto-retrato, testemunho de um fim de semana complicado após o rompimento com um namorado. Com a obra, a artista ganhou dezenas de prêmios e passou ser uma das queridinhas da geração YBA (Young British Artists) -  grupo de jovens artistas britânicos que, em começo de carreira, se exibiam em conjunto na capital em meados da década de 80.


Tracey Emin hoje, na frente de sua obra-prima
Depois de comprada por essa fortuna por um colecionador britânico, a cama vai ser emprestada para a Tate Modern Gallery, em Londres, onde ficará exposta ao público. 

MATISSE: EXPOSIÇÃO EM LONDRES


No final da vida, Henri Matisse (1869-1854) continuava a assombrar o mundo das artes plásticas. Mesmo fragilizado pela doença que limitava sua locomoção, o mestre francês iniciou, em 1943, uma nova fase de sua produção artística: colagens de guaches. Essas obras são uma explosão de cores vivas - uma exuberância de azuis, vermelhos, amarelos -   em cenas de circo, imagens de aves e peixes e também nus. São obras de todos os tamanhos: desde miniaturas até peças que cobrem uma parede inteira. Você com certeza já viu algumas dessas colagens - como a imagem acima ("Blue Nude (III), de 1952).  


"The Fall of Icarus ", de 1949
Pois agora viva ! podemos apreciar 120 dessas colagens na exposição " Matisse, Cut-Outs ", na Tate Modern, em Londres. Eu e o Mike visitamos a exposição na semana passada - é genial !  A crítica britânica se derramou em elogios - descrevendo a mostra como 'fascinante' e 'imperdível'. A Tate, é claro, está repleta de visitantes loucos para conferir a mostra.


Matisse: fragilidade física;
vitalidade artística

Além das colagens, o que impressiona são as fotos e o vídeo que mostra Matisse, preso a uma cadeira de roda, tesoura na mão criando as colagens. Como disse o crítico Nicholas Serota, do jornal The Guardian, dessa maneira Matisse se libertava da doença e da velhice, "creating luscious cut-outs that unleashed a new art ".  ("criando voluptuosas colagens que liberaram uma nova forma de arte" ). 




ENTRANDO NA TELA DE MONDRIAN


Semana passada tive uma experiência super bacana - me senti entrando numa das telas do holandês Piet Mondrian (1872-1944). Como foi isso? A exposição "Mondrian and His Studios", na Tate Liverpool, apresenta uma réplica do estúdio parisiense onde Mondrian viveu de 1921 a 1936 e que ele decorou como se fosse uma continuação de suas telas: paredes brancas, com retângulos coloridos e móveis cuidadosamente posicionados. Ou seja: entrar nessa recriação do estúdio do artista é como entrar em uma de suas telas - genial ! 

Seus quadros mais famosos são os que exibem linhas verticais e horizontais e retângulos ou quadrados nas cores azul, vermelho e amarelo - como essa da imagem acima,  "Composition with Yellow, Blue and Red", de 1937-42.  
Na Tate Liverpool, a fabulosa recriacão do estúdio de Mondrian - não resisti e tirei uma foto

A exposição da Tate Liverpool examina a evolução da arte  Mondrian - reconhecido como um dos ícones da arte abstrata da primeira metade do século XX - e os estúdios onde ele viveu e produziu suas obras: em Paris, Londres e Nova Iorque. A exposição é imperdível mesmo - se você estiver por aqui reserve um tempo para conferir a mostra, que vai até 05 de outubro. 


QUANTO MAIOR MELHOR ?


Pelo jeito, tamanho faz diferença. Pelo menos no mundo das artes, onde recentemente várias mostras têm apresentados esculturas cada vez maiores, algumas gigantescas mesmo. Elas estão por toda a parte no Reino Unido: em museus e galerias (quando o tamanho permite); mas também, e principalmente, ao ar livre, em jardins e espaços públicos. A mais recente novidade é a peça The Kelpies, duas cabeças de cavalo de 30 metros de altura e pesando 300 toneladas que acabaram de ser montadas em um parque em Falfirk, entre Glasgow e Edimburgo, na Escócia. A obra é do artista plástico Andy Scott.

Mas vários outros lugares do Reino Unido também exibem esculturas gigantes. Na  cidadezinha de Ilfracombe (em Devon, sudoeste do país), quem faz sucesso é a escultura de bronze e fibra de aço batizada de Verity - uma mulher grávida cujo ventre está rasgado. Só podia ser obra mesmo do Damien Hirst, polêmico e (multimilionário) artista britânico.

O que falar da gigantesca Verity, de Damien Hirst ?



Em Londres, a estrutura Orbit, construída pelo arquiteto Anish Kapoor, (essa vermelha, aí do lado) com 114 metros de altura, foi uma das atraçōes do Parque Olímpico.



















E em recente visita à Tate Britain, em Londres, admirei as esculturas gigantescas de Phyllida Barlow - em exposição até 19 de outubro. 


Obras em grande escala também na Tate Britain





PÚBLICO DESTRÓI OBRAS DE ARTE


O público, ao invés de admirar as obras de arte, é convidado a destruir aquelas que não aprecia em uma das salas de exposição da Gallery of Modern Art (conhecida como GoMa), em Glasgow, na Escócia. Como??! É isso mesmo ! Trata-se do evento Make Destruction ! (Destrua !),  que convida os frequentadores a expressar seu descontentamento com alguma obra através da sua destruição. "É um ato criativo", garante o organizador Anthony Schreg. Ele explica que um dos objetivos do evento é encorajar a reflexão sobre como julgar o valor de obras de arte. 


Lixo por toda a parte, grafite, mensagem: é o ato criativo Make Destruction !

O público certamente tem gostado do ato criativo, que é restrito a apenas uma sala do museu, é claro. Não é para sair destruindo tudo que não gosta da galeria ... No dia em que eu e o Mike visitamos a sala onde acontece o evento, muita gente estava participando - adultos e crianças -, todos se esbaldando, grafitando e cobrindo as peças com papel picado, jornais velhos e pedaços de fitas coloridas, como você pode ver pela foto acima.

Que tal a idéia?

LONDRES: EXPOSIÇÃO ESPETACULAR



Estou em Londres há três dias fazendo algo que adoro: visitando exposiçōes de artes plásticas. No fim de semana visitei uma exibiçōes espetacular, na Tate Britain, que celebra os 40 anos da carreira de Richard Deacon.

Considerado um dos mais importantes escultores do Reino Unido, Richard Deacon é conhecido por seu interesse em trabalhar com materiais variados, como madeira, metal, cerâmica, couro e plástico. Na exposição, que vai até o dia 27, o visitante aprecia enormes estruturas que se contorcem, se dobram, se curvam, se enroscam. São apenas 25 peças, mas elas te tiram o fôlego - reserve pelo menos uma hora para apreciar todas as obras. 

O público se encanta especialmente com After (1998), essa obra aí da foto acima - uma gigantesca 'minhoca' de madeira. A crítica do jornal The Observer também adorou a mostra.  

EXPOSIÇÃO EM HOMENAGEM A SENNA




Para homenagear a vida e carreira de Ayrton Senna está acontecendo em Londres uma exposição com fotos do piloto. O fotógrafo Keith Sutton clicou Senna durante toda a sua carreira - de sua trajetória da Formula Ford até se tornar ídolo na Formula 1, incluindo o trágico acidente em 1994, no Grand Prix de San Marino. 

Eu e o Mike visitamos a mostra, que é bem bacana mesmo. Todas as fotos, como essas acima e ao lado, estão à venda. A exposição - que coincide com o aniversário de 20 anos da morte do esportista ( no dia 1 de maio) - acontece na Galeria Proud Chelsea até 4 de maio.

ARTE DE JOHN LENNON EM LEILÃO


Você sabia que John Lennon além de escrever músicas, também foi o autor de vários livros? Pois bem, as ilustraçōes originais, poemas e sketches que o artista produziu para dois desses livros - " In His Own Write" e "A Spaniard in the Works" - vão ser leiloados em junho na filial da Sotheby's de Nova Iorque. A expectativa é que o lote, que reúne 100 peças, atinja mais que  £78 mil libras ( cerca de 310 mil reais). Até quarta-feira quem visitar a Sotheby's em Londres, pode conferir a exposição das peças que serão leiloadas. Aí embaixo algumas das ilustraçōes. 









LONDRES: GALERIAS DENTRO DE PARQUE


Que tal visitar duas galerias de arte localizadas dentro de um lindo parque? Em Londres, as Serpentines Galleries - especializadas em arte moderna, contemporânea, fotografia e design - ficam dentro do encantador Kensington Gardens. Além de exposiçōes espetaculares, as galerias oferecem regularmente vários cursos, palestras, sessōes de cinema e workshops. E, a cada verão, convidam um arquiteto de renome internacional para projetar e montar um pavilhão que funciona como espaço cultural. Em 2003, o homenageado foi Oscar Niemeyer ; esse ano o chileno Smiljan Radic promete construir uma estrutura pra lá de arrojada para abrigar, de julho a outubro, exibiçōes no local.


Da esquerda, em sentido horário: a exposição Come and See; o prédio da Galeria;
 o lindo Kensington Park e o restaurante Magazine

Da última vez que estive em Londres, visitei na galeria a exposição "Come and See", dos irmãos James e Dino Chapman. Repletas de figuras iconoclastas, esculturas e instalaçōes, os artistas exploram temas como religião, política e moral. Aproveitei ainda para conhecer o restaurante The Magazine, anexo das galerias, que tem projeto arquitetônico de Zaha Hadid, responsável por vários projetos premiados na cidade. 


VAN GOGH NA NATIONAL GALLERY, LONDRES


Quando Vincent Van Gogh morreu, em 1890, aos 37 anos, os familiares e amigos que compareceram ao seu enterro carregavam lindos girassóis amarelos. A flor sempre teve significado especial para o artista: Van Gogh produziu inúmeros quadros de girassóis - entre eles a célebre série Sunflowers, que mostram as flores em uma jarra. Duas das telas dessa série podem ser apreciadas agora, lado a lado, na National Gallery, em Londres. 

A tela "Girassóis" (1889), à direita na foto, foi emprestado pelo Museu Van Gogh à instituição britânica, que é dona de "Girassóis" (1888, à esquerda). Só restam outras três obras da série, guardadas por museus de Tóquio, Munique e Filadélfia.

A história da produção das telas é interessante:  em 1888, VanGogh convidou seu amigo Paul Gauguin para para se juntar a ele no sul da França, onde pintava inspirado pelo exuberante luz e cor do local. Van Gogh pintou a série de girassóis para decorar o quarto do amigo - um gesto de amizade e boas vindas.

Para levar para casa: lembranças de girassóis na loja do museu

Eu e o Mike visitamos a exposição - The Sunflowers é certamente, no momento, a mais importante mostra da National Gallery. Sempre há fila para entrar na sala onde os quadros estão sendo exibidos. Nessa sala, há apenas as duas telas, magníficas. Vários funcionários do museu foram especialmente designados para a mostra: eles orientam o público, organizam a fila e, claro, impedem os frequentadores mais de tentar qualquer tipo de saliência, como fotografar dos quadros. Só dá mesmo para fotografar os girassóis possíveis de consumo, na lojinha do museu: camisetas, livros, almofada, chaveiros, capa de óculos - todos com a estampa das famosas flores.

 The Sunflowers permanece na National Gallery até o dia 27 de abril. 

TATE BRITAIN EM LONDRES


Na minha última visita à Londres, estive na Tate Britain, que reúne o maior acervo de obras de artistas britânicos na capital. Com peças que datam de 1545 até hoje, o museu é parada obrigatória para quem conhecer um pouco mais sobre a arte produzida no Reino Unido. Eu destaco dois espaços especiais:  as galerias com obras dos gigantes JMW Turner e Henry Moore. 


Um das salas dedicadas a Turner na Tate Britain

JMW Turner (1775-1851) é certamente o mais celebrado artista britânico. Suas aguarelas, óleos e desenhos enfocam dois temas em especial: a exuberante paisagem do Reino Unido e o mar - Turner retratatou como ninguém cenas de sobrevivência humana em naufrágios e tempestades. A sua extraordinária habilidade no uso da luz influenciaria os Impressionistas no final do século XIX. 





Henry Moore (1898-1986) é um dos mais importantes artistas plásticos do Reino Unido. Suas obras - especialmente esculturas que retratam a natureza e o corpo humano - ocupam um espaço de destaque na Tate: são 634 peças ! Adoro as esculturas de mulheres  reclinadas - monumentais e imponentes ou numa escala diminuta são extraordinárias e uma marca registrada do artista.


Obras espetaculares de Henry Morre na Tate Britain


TATE MODERN, EM LONDRES


Estava outro dia conversando online com a minha professora de História da Arte sobre as fabulosas exposiçōes já agendadas pelos museus britânicos para 2014 - e lamentava como é difícil acompanhar todas as mostras. Ela concordou e resumiu com precisão: "So much art... so little time". O tempo é curto mesmo, mas sempre que vou à Londres não deixo de fazer um dos meus programas favoritos: visitar a Tate Modern - que reúne um espetacular acervo de obras modernas e contemporâneas. Localizada no Bankside, a Tate organiza sempre exposiçōes fabulosas: no ano passado eu e o Mike vimos as retrospectivas da carreira de Paul Klee e Roy Lichtenstein


Da esquerda, em sentido horário: "Endless Rhythm" (1934) de Robert Delaunay; eu, super feliz ao lado de
 "Composition C  (N III)  With Red, Yellow and Blue", (1935), de Piet Mondrian;
"Painting"(1927), de Jean Miró; e "Swinging"( (1925), de Wassily Kandisnky - todas obras do acervo
permanente da Tate Modern
Na última semana visitamos parte do acervo permanente da Tate: as alas "Poetry and Dreams " e "Structure and Clarity ". Em uma palavra: es-pe-ta-cu-lar !!! Eu e o Mike apreciamos obras-primas de Picasso, Miró, Dalí, Mondrian, Kandinsky, Robert Delaunay, Henry Moore, e também brasileiros como Hélio Oiticica e Sergio Camargo. Deixo as imagens que fiz (é permitido fotografas sem flash) falarem por si. 


Da esquerda: os brasileiros Sergio Camargo : 'Large Split Relief N 34/4/74' (1964)
 e Helio Oiticica 'Bilateral Teman BIL 003' (1959)


Somente telas de Pablo Picasso: a maior, em cima é "Nude Woman With Necklace" (1968); na parte de baixo, da esquerda:
"Bust of a Woman "(1909); "Weeping Woman " (1937); e "Bust of a Woman " ( mesmo título da outra, mas produzida em 1944).