IGREJA VIRA CASA NOTURNA EM LIVERPOOL


A igreja St Peter's, construída em 1788, em Liverpool, passou por uma transformação danada. Hoje, imagine só, ao em vez de missas e do ambiente austero, funciona no local um bar e restaurante pra lá de animado, com música ao vivo e espaço para dançar.  É o 'Alma de Cuba', uma das opçōes de programação noturna na cidade, especialmente para a comunidade latina. O curioso é que o restaurante manteve o ambiente e o décor com inspiração religiosa, como você pode conferir pelas fotos...


O décor é austero, mas a animação é garantida (garante o gringo...)




PASSEIO EM GLASGOW, PARTE 2




Visitar Glasgow é se encantar com a modernidade arquitetônica de uma metrópole vibrante, moderna e cheia de vida. Ao longo do rio Clyde, que banha a cidade escocesa, são inúmeras as construçōes arrojadas e meio futurísticas , como esse prédio da foto acima - o  gigantesco Clyde Auditorium

Outras construçōes imponentes na orla do rio - como o Museum of Transport (Museu do Transporte)  e The Hydro (uma enorme casa de espetáculos) - também esbanjam um estilo arquitetônico semelhante: muito metal, vidro e curvas. Veja as fotos dessas construçōes:


O Clyde Auditorium visto de um outro ângulo - dá para entender porque o prédio
é carinhosamente apelidado de 'Armadillo' ('tatu')


Parecendo uma nave espacial, o The Hydro é uma arena de espetáculos para um público de 12 mil pessoas 
Linhas inesperadas no Museu do Transporte : telhado em formato zigue-zague
 e fachada quase totalmente de vidro, com vista para o Rio Clyde

Essas gigantes estruturas de metal e vidro - centros de lazer e cultura - conferem uma nova paisagem a ex-zona portuária da cidade. Como muitas cidades britânicas (entre elas Liverpool, onde eu moro), Glasgow cresceu e se desenvolveu, a partir do século XVI, como um dos mais importantes portos do Império Britânico, em função de um rio: o River Clyde, que banha a cidade. Depois de enfrentar um período de abandono e marginalização, a área passou, nos últimos 15 anos, por um processo de reurbanização: os antigos armazéns e docas deram lugar a essas modernas construçōes.

Mas essa renovação urbanística não expressa um desejo de esquecer o passado recheado de glória marítima da cidade. Muito pelo contrário. Ao lado de prédios que parecem naves espaciais, o visitante pode conferir um museu que funciona dentro de um navio bem antiguinho, o Glenlee -  que navegou o mundo por mais de 80 anos (a primeira viagem, a partir do Rio Clyde foi em 1896). É uma bela homenagem da cidade ao seu próprio passado. 
O Museu marítimo funciona dentro do navio, de 245 pés


Mike e eu passamos alguns dias em Glasgow, que é a maior cidade da Escócia. Depois de visitarmos os prédios modernosos ao longo do rio Clyde, fomos procurar o que todo visitante sabe que vai encontrar em uma cidade britânica: prédios históricos, que deslumbram e arrebatam os turistas. 

Começamos nosso passeio a procura de prédios históricos pela Merchant City, antigo centro histórico - quadrilátero delimitado pela Glassford Street e Albion Street, de um lado, e Trongrate Street e Ingram Street, de outro. O bairro é artsy - repleto de galerias, estúdios de artistas e designers, restaurantes bacanérrimos de gastronomia internacional e também ... muitos lindos prédios antigos. Como esses das fotos abaixo - veja e babe:


A linda torre à direita se chama Tolbooth Steeple (Trongrate Street)
À direta: a igreja de Tron-St Mary (Trongrate Street)
Um toque de Itália  em Glasgow: a estátua de Mercúrio se impōe no Italian Centre


Os lindos arcos do City Chambers
A Merchant City é, na minha opinião, uma das
áreas mais bonitas da cidade
E para não dizer que não falei do que interessa... rs
esse é o City Merchant, um restaurante delicioso que se orgulha de oferecer
 "fresh seafood from the coastal waters and rivers of Scotland" (frutos do mar frescos e provenientes dos rios da Escócia)


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Passeio Glasgow, Escócia 1
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PASSEIO EM GLASGOW, PARTE 1


Eu e o Mike viajamos de Liverpool até Glasgow na última semana - ele estava a trabalho e eu aproveitei para conhecer a cidade. Confesso que não imaginava me deparar com uma metrópole tão exuberante. Maior cidade da Escócia ( maior que a capital Edimburgo), Glasgow logo conquista o visitante pela sua belíssima arquitetura. Há de tudo na cidade: construçōes vitorianas, arcos e vielas em estilo italiano, torres e igrejas neo-góticas e a modernidade arrojada dos prédios de aço e vidro.

Essa mistura faz de Glasgow um verdadeiro paraíso arquitetônico e uma cidade sensacional de se conhecer. 



Nosso primeiro passeio foi conhecer um dos pontos turísticos mais importantes da cidade: o Kelvingrove Art Gallery and Museum. 


Visita imperdível: o Museu Kelvingrove

Com mais de 8 mil obras, entre elas peças de mestres como Salvador Dali, Van Gogh, Henri Matisse e Claude Monet, o museu é imperdível.


Kelvingrove Museum: lindo prédio e acervo espetacular

Ah, e o museu conta ainda com uma galeria especial dedicada ao filho mais famoso da cidade, o arquiteto Charles Rennie Mackintosh (1868-1928), que transformou a cidade num dos centros mais importantes de Art-Nouveau da Europa. Mas conhecido como designer de móveis, Mackintosh criou cadeiras cujo design você provavelmente reconhece (veja a fotos abaixo). 




De lá, seguimos para o centro da cidade, onde localizam-se importantes pontos turísticos. Visitamos a George Square, construída em 1781; a igreja St George's Tron; a Gallery of Modern Art (conhecida como GoMa) e o Royal Concert Hall. 



A linda George Square
St George's Tron data de 1807
Operas, concertos e balés acontecem no Royal Opera House
A Gallery of Modern Art, conhecida como GoMa

Passeamos ainda pela Buchanan Street -  rua das lojas mais bacanas, fechada a carros e super movimentada. Nessa rua vale dar um pulo no elegante shopping Princes Square, com seus arcos de  inspiração no Art-Nouveau, e na Argyll Arcade, galeria que abriga mais de 30 joalherias. Todos esses lugares são pertinho uns dos outros - dá tranquilamente para conhecê-los caminhando.



Arcos de inspiração Art-Nouveau do shopping Princes Square, na Buchanan Street


A elegante Argyll Arcade - galeria repleta de joalherias - na Buchanan Street

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GALERIA FUTURÍSTICA EM LONDRES


A Roca Gallery, em Londres é um showroom de peças para banheiros e também uma espaço cultural. Hein, como assim? É isso mesmo ! A galeria foi projetada para atender dois objetivos:  exibir pias, chuveiros e banheiras que têm o design arrojado da marca Roca e também sediar eventos culturais - como exposiçōes, palestras e debates sobre arquitetura e sustentabilidade. O espaço é bacana mesmo - me senti como se estivesse entrando num caverna futurista, com paredes multi-mídia, onde o branco predomina e as formas curvilíneas fazem referência a fluidez da água. O projeto é do escritório Zaha Hadid, responsável por alguns dos prédios mais bacanas de Londres. 


Roca Gallery: projeto arrojado e futurístico
A Roca Gallery é localizada em Chelsea (sudoeste da cidade) - bairro que concentra um enorme número de lojas sofisticadas de decoração - como a Designers Guild, Heal's, Habita, Oka, entre outras. Da última vez que estive em Londres fiquei hospedada em um hotel no bairro, mas precisamente no Chelsea Harbour (Marina de Chelsea), onde muitos donos de barcos que passeiam pelo rio Hudson atracam suas embarcaçōes. A área está vivendo um boom imobiliário - são várias os condomínios sendo construídos. O precinho? Um quarto-e-sala custa cerca de 1 milhão de libras !!


Chelsea Harbour: centro de design que vive um boom imobilário

ARTE NAS RUAS DE LIVERPOOL


Se deparar com uma escultura inusitada no meio da rua, no centro da cidade onde moramos, é sempre uma surpresa agradável. Tive essa experiência recentemente aqui em Liverpool. Ao chegar à Wolstenholme Square fui surpreendida pelo colorido, tamanho e movimento da peça Penépole, do escultor cubano Jorge Prado. A obra, de 2006, faz referência à personagem homônima, da mitologia grega, que fielmente esperou durante vinte anos pela volta de Ulysses, seu marido, da guerra de Tróia, tecendo uma colcha. Era a primeira vez que caminhava por ali e não perdi a chance de fotografar a peça (foto acima).


Homens Nus na Crosby Beach, em Liverpool

Liverpool é uma cidade histórica; em toda esquina a gente cruza com esculturas que homenageiam monarcas ou lembram batalhas memoráveis. Mas algumas peças contemporâneas também têm a sua vez - como as cem esculturas, do artista plástico Antony Gormley, de homens nus (isso mesmo, nus!).  Esculpidas em ferro, entre 2005 e 2006, elas estão  espalhadas numa faixa de 3,2 quilômetros de areia na praia de Crosby.  O artista batizou seu trabalho de Another Place ('Um outro lugar'), referência à melancolia inerente dos imigrantes, que sentem muita saudade de sua terra natal, mesmo sonhando e buscando um novo futuro em um outro país. 

Outro exemplo bacana: a escultura Coming Together (1999), do artista Stephen Broadbent , fica no sul da cidade. As linhas curvas me lembram um pouco o trabalho do Oscar Niemeyer - o que vocês acham? 
As Lambananas se multiplicam
nas ruas  de Liverpool

Uma outra obra moderna que anima várias ruas da cidade é a estranha (mas divertida!) Lambanana, que como o nome sugere, é uma mistura de carneiro com uma banana. A primeira lambanana foi criada em 1998 pelo artista plástico japonês Tairo Chiezo como forma de alertar o público sobre os perigos do avanço da engenharia genética. Elas se multiplicaram ao longo dos anos e hoje podem ser vistas dezenas pelas ruas em cores vibrantes.

PRÉDIOS HISTÓRICOS SE REINVENTAM EM LIVERPOOL


Uma escola que virou showroom de carros de luxo e agora é centro cultural. O Correio Central que se transformou em shopping center. A primeira loja de departamento da Europa que virou hotel e, mais tarde, voltou novamente a ser uma tradicional loja de departamento. Muitos dos lindos e históricos prédios de Liverpool se renovaram e se adaptaram com o passar do tempo, adquirindo novas e muitas vezes, surpreendentes, funçōes. Um bom exemplo é a Liverpool Blue Coat School (essa da foto aí de cima), construída em 1717 - na minha opinião um dos mais lindos prédios da cidade. A escola foi criada para abrigar, em regime de internato,  crianças pobres que estudavam e aprendiam um ofício. Mas a escola cresceu tanto que, em 1906, foi transferida para outro local. 

No início do século XX o prédio teve vários proprietários e abrigou diferentes negócios, entre eles uma escola de arquitetura e um showroom de carros de luxo. Durante a Segunda Guerra Mundial, Liverpool foi maciçamente bombardeada e o prédio foi atingido. Finalmente, depois de muitas reformas, o Blue Coat (como é conhecido hoje) se transformou no final do século passado num espetacular centro cultural - um oásis criativo no coração da cidade, que fomenta a criatividade de artistas e atrai extenso público. São várias salas de exibição de arte plástica, espaço para palestras e workshops e apresentaçōes de música clássica e jazz. 


A linda fachada do shopping. E, por dentro, lojas
sofisticadas

Muitos outros prédios também se transformaram ao longo dos anos. Depois de uma reforma que consumiu £75 milhōes, o antigo prédio do Correio Central de Liverpool se transformou, em 2006, num shopping center pra lá de glamuroso - conhecido simplesmente como Met Quarter -, com lojas como Armani, Hugo Boss e LK Bennet, além de cafés e bistrôs. Construído entre 1894 e 1899, o prédio teve inspiração nos chateaux do Vale do Loire, na França. Duramente bombardeado durante a Guerra, o segundo andar foi totalmente destruído - a reforma re-construiu essa parte do prédio.




O prédio da tradicional M& S já abrigou o Compton Hotel 

Finalmente, o prédio que hoje abriga a tradicional loja de departamento Marks & Spencer, tem uma história interessante. O prédio foi construído para abrigar a primeira loja de departamento da Europa, em 1867: a Compton House - em 1867 (só cinco anos mais tarde Paris abriria a primeira loja do gênero, a Bon Marché). Depois se transformou em um hotel (o Compton Hotel), e mais tarde, em 1928, virou a M &S.

Existem muitos outros exemplos de outros prédios históricos que se reinventaram para sobreviver - não somente em Liverpool, mas em muitas outras cidades na Inglaterra.

LONDRES: GALERIAS DENTRO DE PARQUE


Que tal visitar duas galerias de arte localizadas dentro de um lindo parque? Em Londres, as Serpentines Galleries - especializadas em arte moderna, contemporânea, fotografia e design - ficam dentro do encantador Kensington Gardens. Além de exposiçōes espetaculares, as galerias oferecem regularmente vários cursos, palestras, sessōes de cinema e workshops. E, a cada verão, convidam um arquiteto de renome internacional para projetar e montar um pavilhão que funciona como espaço cultural. Em 2003, o homenageado foi Oscar Niemeyer ; esse ano o chileno Smiljan Radic promete construir uma estrutura pra lá de arrojada para abrigar, de julho a outubro, exibiçōes no local.


Da esquerda, em sentido horário: a exposição Come and See; o prédio da Galeria;
 o lindo Kensington Park e o restaurante Magazine

Da última vez que estive em Londres, visitei na galeria a exposição "Come and See", dos irmãos James e Dino Chapman. Repletas de figuras iconoclastas, esculturas e instalaçōes, os artistas exploram temas como religião, política e moral. Aproveitei ainda para conhecer o restaurante The Magazine, anexo das galerias, que tem projeto arquitetônico de Zaha Hadid, responsável por vários projetos premiados na cidade. 


ESTILOS DE ARQUITETURA EM LIVERPOOL


A melhor maneira de conhecer bem uma cidade é percorrer, a pé, suas ruas - apreciando o estilo arquitetônico de seus edifícios, conferindo monumentos e estátuas históricas. É justamente isso que eu tenho feito ultimamente, junto com minha turma do curso Architecture of Liverpool. Com a  orientação da professora, temos feitos tours a pé para visitar e aprender mais sobre os prédios da cidade. Essa semana demos sorte: o sol apareceu e a temperatura amena para a estação  - 8C - permitiu que o passeio fosse bem agradável. Em outras palavras: não congelamos !


Close no relógio do Municipal Building, na Dale Street, centro da cidade
Depois de Londres, Liverpool é a cidade na Inglaterra com o maior números de prédios históricos. São cerca de 2500, que foram cuidadosamente identificados e preservados (são chamados de 'listed buildings'). Essas construçōes não podem, é claro, ser demolidas ou alteradas a não ser com permissão especial das autoridades. 


A linda St Luke's Church, bombardeada durante a Segunda Guerra Mundial
Reflexo do Liver Building, cartão-postal de Liverpool, no modernoso Mann Island Devolpment Building

Esses prédios têm variados estilos arquitetônicos, especialmente Neoclássico, Eduardiano, Gótico e Moderno. 


Estilos variados: o Empire Theatre e a Grand Central
Talvez o estilo que mais se impōe na arquitetura da cidade seja o Neoclássico. Nos séculos XVIII e XIX Liverpool cresceu e prosperou muito, especialmente devido ao  seu importante porto comercial, um dos maiores da Europa. Os comerciantes,  governantes e políticos locais, orgulhosos do desenvolvimento da cidade, queriam ostentar a riqueza da cidade através da arquitetura dos prédios. Resultado: o estilo de muitos prédios públicos e comerciais construídos nessa época é o neoclássico, com suas grandiosas colunas e materiais nobres (mármore e granito) - que seguem o modelo dos templos greco-romanos e das construções do renascimento italiano.  

A Biblioteca central e St George's Hall : estilo Neoclássico em Liverpool

CASTELO É DESMONTADO NA INGLATERRA

Imagine um castelo sendo totalmente desmontado, bloco por bloco, para depois ser montado novamente no mesmo lugar ! Pois é isso que está acontecendo com o Castle Drogo - famoso por ter sido o último castelo construído na Inglaterra (no início do século passado). O castelo está passando por uma incrível reforma que pretende corrigir uma profunda infiltração que compromete seriamente a estrutura da construção. A reforma, que começou há alguns meses, vai consumir cerca de 11 milhões de libras e deverá terminar em cinco anos. O castelo é administrado pelo National Trust - instituição do governo britânico que cuida de muitas propriedades históricas.

Situado em Devon (sudoeste do país), o Castle Drogo foi construído em estilo medieval pelo badalado arquiteto Edwin Lutyens, que projetou dezenas de propriedades rurais elegantes na época. O castelo, uma encomenda do milionário Julius Drewe, demorou mais de 10 anos para ser concluído. Iniciada em 1911, a construção foi interrompida pela Primeira Guerra Mundial. Depois da guerra, os custos aumentaram significativamente.  A família de Drewe só conseguiu se mudar para o castelo em 1925!


LEGO E OS FUTUROS ARQUITETOS


Seu filho gosta de brincar com Lego ? O brinquedo de montar, que é um sucesso entre a criançada de todas as nacionalidades, pode representar muito mais do que apenas diversão. Segundo Rachel Cooke, colunista do jornal The Observer, existe uma forte relação entre brinquedos de montar e arquitetura. Alguns dos mais influentes arquitetos da  Inglaterra reconhecem que os brinquedos de sua infância influenciaram alguns dos seus mais importantes projetos. É o caso de Richard Rogers, que já admitiu a relação entre o design do lindo Lloyds Building, em Londres, com as formas do Meccano (Um Lego do anos 40), que ele brincava na infância. Outros arquitetos renomados que também identificaram a influência de brinquedos de montar são Norman Foster e Will Alsop, responsável pelo design da Peckham Library, em Londres. 



Palácio de Buckingham Palace feito de Lego; meninos e meninas se divertem;
 a Loja Lego de Liverpool oferece dezenas de opçōes

Mas, e a relação entre brinquedos de montar e arquitetas? Até 2011, 90% dos consumidores de Lego eram meninos. Somente recentemente, a empresa começou a oferecer opçōes específicas para as meninas - como estúdios de arte e beleza. Preconceito ou, como dizem aqui, sexism? Segundo Ann Dowling,  primeira presidenta da Royal Academy of Engineering, muitas meninas poderiam decidir seguir carreiras como Engenharia ou Arquitetura se fossem incentivadas a brincar com brinquedos como Lego  - ao invés de somente bonecas.  Atualmente há apenas  8%  de engenheiras na Grã-Bretanha e 20% de arquitetas. 

PRÉDIOS ESQUECIDOS DE LIVERPOOL


Um projeto muito bacana que eu conheci recentemente é o Hidden Liverpool, que pretende resgatar a história de muitos prédios desativados ou abandonados pela cidade. Para quem não sabe, Liverpool tem uma quantidade enorme de prédios antigos; 2500 foram cuidadosamente identificados e seu valor histórico e arquitetônico preservado - são os chamados 'listed buildings'. Mas muitas outras construçōes (como cinemas, pubs e armazéns) parecem que foram esquecidas pelo poder público e pelos moradores.

É aí que entra o papel do Hidden Liverpool: encorajando os moradores a não esquecer esses prédios antigos. Como isso é feito concretamente? A primeira fase do projeto foi organizar entre os moradores uma competição fotográfica - cujo tema era, claro, prédios abandonados. As melhores imagens  foram reunidas na exposição People's City, que visitei recentemente. Alguns prédios são realmente lindos - dá pena de estarem desativados. 


Exposição de fotografias dos prédios esquecidos de Liverpool
O segundo passo são as Walking Tours - guias voluntários estão promovendo caminhadas até esses prédios e contando um pouco da história do local. Por fim, a terceira fase do programa inclui as Conversation Series - encontros em que são debatidos projetos semelhantes que estão acontecendo em outras cidades do Reino Unido. Nada como a troca de experiência para aprender mais sobre como proteger e manter prédios antigos - que fazem parte da história da cidade. A idéia é estimular a comunidade a pensar em possibilidades de reabilitação desses prédios: como trazer vida a um prédio esquecido? Como buscar recursos para viabilizar a preservação do prédio?

AS PORTAS COLORIDAS DE LUDLOW


Eu já percebi que em muitas cidades - como Oxford e Dublin (na Irlanda) - as lojas de souvenirs vendem cartōes postais com fotografias de portas das casas. Isso mesmo, portas ! Os cartōes são lindos ... 

Pois bem, durante a nossa lua de mel não resisti às lindas portas coloridas das casas de Ludlow, na região centro-oeste da Inglaterra. (Na verdade quem tirou as fotos foi o Mike quem tirou )

As portas representam o estilo arquitetônico georgiano, de inspiração neoclássica, que durou entre 1714 e 1830, quando quatro reis chamados George reinaram na Inglaterra. 

Mas a idéia não é privilégio do Reino Unido -  minha amiga Kátia R. me lembrou que no Brasil há cartōes postais semelhantes, como os que mostram as lindas portas de Ouro Preto, em Minas Gerais

MEUS PRÉDIOS FAVORITOS EM LIVERPOOL


Essa foto é da Walker Art Gallery - um dos prédios históricos mais lindos do centro de Liverpool. Adoro passear a pé por aqui, apreciando a linda arquitetura dessa região.  Como em toda a Inglaterra, prédios e construções com importância histórica são cuidadosamente identificados e preservados (são chamados de listed buildings). Em Liverpool, são 2500 construções identificadas, seja por seu valor histórico, arquitetônico ou cultural. Muitas delas são preciosidades da era vitoriana e não podem ser demolidas ou alteradas a não ser com permissão especial das autoridades. 

Para conhecer e entender melhor a arquitetura dos prédios da cidade decidi fazer um curso sobre o assunto. Mas isso vai ser só em janeiro... Hoje, para ir entrando aos poucos no clima, decidi reunir fotos que tirei de alguns dos meus prédios históricos favoritos no centro da cidade:

Royal Liver Building, um dos cartões postais da cidade, se impõe com seus 90 metros de altura.  No topo do edifício, inaugurado em 1911, dá para ver os dois pássaros (os liver birds) que dão nome ao prédio e, segundo a lenda, protegem a cidade. 
Na esquina da Water Street com a Castle Street localiza-se a sede da Prefeitura (a Town Hall), cuja construção data de meados do século XVIII. Como muitos prédios na cidade, ganha uma iluminação especial para celebrar festas, como as de fim de ano (foto do ano passado).


O Empire Theatre,  que fica a Lime Street, foi inaugurado em 1925. Com capacidade para 2.500 pessoas, é um dos maiores do país



Já falei do belíssimo St George's Hall. Imponente, ele abriga hoje alguns serviços públicos municipais - entre eles o cartório geral da cidade, e é super popular popular entre quem vai casar na cidade. Eu e o Mike vamos casar aí