COURTAULD GALLERY EM LONDRES


Vou dar uma dica super quente para vocês: quem gosta dos artistas Impressionistas e Pós-Impressionistas NÃO pode deixar de visitar a Courtauld Gallery, em Londres. Conhecida pelo acervo sensacional de obras de mestres como Claude Monet, Van Gogh, Edgar Degas e Paul Cézanne, entre outros, a galeria é uma pequena jóia no coração da capital inglesa.



Eu e o Mike visitamos a Courthauld Gallery recentemente. A coleção inclui belíssimos quadros, esculturas e móveis - da Renascença até o século XXi. Mas a parte mais importante é sem dúvida o acervo dos Impressionistas e Pós-Impressionistas.

Um dos destques é o quadro ao lado : "Auto-retrato com a orelha cortada", de Van Gogh (1889).

Vale muito a visita !!!

MUSEU ESCONDIDO EM LONDRES


O Wallace Collection, localizado no centro de Londres, é um museu pequeno, mas que vale muito a visita por duas razōes: possuiu preciosas obras de grandes mestres - entre eles Velasquez, Rubens e Titian -  e sua coleção de armaduras medievais européias é simplesmente sensacional. O museu não é muito badalado, fica meio escondido na charmosíssima Manchester Square. Seu acervo espetacular foi formado aos poucos - durante mais de 50 anos - a partir do primeiro Marques de Hartford (1793) e pelos seus descendentes. Em 1897 todas as peças - que incluem ainda esculturas, tapetes, porcelanas e móveis - e a mansão que abriga a coleção foram doados ao governo britânico por Lady Wallace, viúva do último descendente da família. 



A Galeria que abriga as armaduras medievais fica no primeiro andar. Escudos, capacetes, armas e armaduras completas (de cavaleiros e cavalos) estão expostas . São realmente impressionantes - especialmente depois que fiquei sabendo do peso: podem atingir cerca de 60 kg, imagine só !!! 

A mansão que abriga a coleção é belíssima e por si só vale a visita. Cores fortes - como vermelho escuro, verde e dourado - brilham na decoração dos ambientes suntuosos. 


Luxo e opulência numa das muitas salas da mansão


Obras de mestres como Velasquez e Murillo

INGLESES RECRIAM TELAS FAMOSAS


Olhe que bacana: o projeto VanGo Yourself convida as pessoas a se divertirem recriando as poses que inspiraram algumas das telas mais famosas do mundo. É super simples: você se cadastra no site, escolhe uma das 50 telas disponíveis, imita a pose, fotografa e pronto !, pode compartilhar na mídia social. O projeto conta com o apoio de alguns dos mais importantes museus do mundo - na Inglaterra é patrocinado pelo Coventry's Herbert Gallery and Art Museum.


Segundo Jane Finnis, coordenadora do projeto aqui no Reino Unido, o objetivo é fazer com que as pessoas interajam com as obras de arte e se divirtam com elas. "As pessoas podem escolher quadros que retratam cenas históricas, momentos íntimos com a família e amigos ou ainda quadros mais sérios".  Na foto acima o britânico Chris recriou a famosa tela  "Auto-retrato", de Van Gogh. 



Algumas das poses recriadas você pode ver aqui . Muita gente posou sozinho; outros juntaram os amigos , mas tenho certeza que todo mundo adorou a experiência.  Uma das telas mais populares para ser imitada é a "Ùltima Ceia", de Da Vinci. A recriação acima, feita por um grupo de amigos, todos chefs, não ficou bárbara? 

LONDRES: SAATCHI GALLERY


O ex-marido da Nigella Lawson, Charles Saatchi, é poderoso: depois de fazer fortuna, na década de 80, como dono de uma das maiores empresas de publicidade da Inglaterra, ele se tornou um importante colecionador de arte e dono de uma badalada galeria de arte em Londres - a Saatchi Gallery. Dizem as más línguas que o espaço tinha mesmo que ter o nome do dono - Saatchi tem a reputação de ser super vaidoso ( além de, aparentemente, ser um marido violento, como mostram aquelas fotos com a Nigella).  


Saatchi Gallery, em Chelsea: espaço de arte contemporânea

Mas o que importa é a galeria, que eu e o Mike visitamos há pouco tempo. Localizada numa área nobre da cidade - na King's Road, diante do lindinho Duke of York Park, em Chelsea - , o prédio abriga acervo e exposiçōes de arte contemporânea, que Saatchi adora. Ele ficou famoso por ser patrono dos YBA (Young British Artists) -  grupo de jovens artistas britânicos que, em começo de carreira, se exibiam em conjunto na capital em meados da década de 80. Entre esses artistas estão hoje dois super peso-pesados do mundo das artes: Damien Hirst e Tracy Emin.

A galeria mantém uma proposta de apresentar ao público o trabalho de jovens artistas ainda desconhecidos ou de artistas internacionais que ainda não tiveram oportunidade de exibir suas peças no reino Unido. Bem, eles são desconhecidos até suas obras serem exibidas na galeria - como tudo que Saatchi toca vira ouro, os artistas passam de 'desconhecidos' a 'valiosos 'em menos de 24horas. 

PÚBLICO DESTRÓI OBRAS DE ARTE


O público, ao invés de admirar as obras de arte, é convidado a destruir aquelas que não aprecia em uma das salas de exposição da Gallery of Modern Art (conhecida como GoMa), em Glasgow, na Escócia. Como??! É isso mesmo ! Trata-se do evento Make Destruction ! (Destrua !),  que convida os frequentadores a expressar seu descontentamento com alguma obra através da sua destruição. "É um ato criativo", garante o organizador Anthony Schreg. Ele explica que um dos objetivos do evento é encorajar a reflexão sobre como julgar o valor de obras de arte. 


Lixo por toda a parte, grafite, mensagem: é o ato criativo Make Destruction !

O público certamente tem gostado do ato criativo, que é restrito a apenas uma sala do museu, é claro. Não é para sair destruindo tudo que não gosta da galeria ... No dia em que eu e o Mike visitamos a sala onde acontece o evento, muita gente estava participando - adultos e crianças -, todos se esbaldando, grafitando e cobrindo as peças com papel picado, jornais velhos e pedaços de fitas coloridas, como você pode ver pela foto acima.

Que tal a idéia?

MUSEU EMPRESTA OBRAS DE ARTE


Que tal pegar emprestado de um museu uma obra de arte - como uma pintura de Matisse ou Goya, por exemplo - e poder pendurá-la na parede de sua casa por alguns meses? Pois isso é realidade para quem participa do projeto Take Art Home ("Leve Arte Para Casa") - uma iniciativa da Leeds Arts Gallery. Cerca de 600 peças estão disponíveis para empréstimo - entre pinturas, aquarelas e fotografias - para os moradores de Yorkshire, distrito no norte do país onde se localiza o museu. 

Não é uma idéia fantástica? O objetivo, segundo o site do museu, é permitir que o público tenha a oportunidade de desfrutar de obras originais na privacidade se seus próprios lares. 

O projeto é um sucesso. E não envolve burocracia: depois de apresentar um documento de identificação e um comprovante de moradia, o interessado só precisa pagar uma taxa de matrícula de 4 libras. O próximo passo é comparecer no dia em que as obras disponíveis estarão em exposição (a próxima data é 26 de abril) e escolher a sua para levar para casa. Cada peça é emprestada por módicas 2 libras.  

TATE BRITAIN EM LONDRES


Na minha última visita à Londres, estive na Tate Britain, que reúne o maior acervo de obras de artistas britânicos na capital. Com peças que datam de 1545 até hoje, o museu é parada obrigatória para quem conhecer um pouco mais sobre a arte produzida no Reino Unido. Eu destaco dois espaços especiais:  as galerias com obras dos gigantes JMW Turner e Henry Moore. 


Um das salas dedicadas a Turner na Tate Britain

JMW Turner (1775-1851) é certamente o mais celebrado artista britânico. Suas aguarelas, óleos e desenhos enfocam dois temas em especial: a exuberante paisagem do Reino Unido e o mar - Turner retratatou como ninguém cenas de sobrevivência humana em naufrágios e tempestades. A sua extraordinária habilidade no uso da luz influenciaria os Impressionistas no final do século XIX. 





Henry Moore (1898-1986) é um dos mais importantes artistas plásticos do Reino Unido. Suas obras - especialmente esculturas que retratam a natureza e o corpo humano - ocupam um espaço de destaque na Tate: são 634 peças ! Adoro as esculturas de mulheres  reclinadas - monumentais e imponentes ou numa escala diminuta são extraordinárias e uma marca registrada do artista.


Obras espetaculares de Henry Morre na Tate Britain


TATE MODERN, EM LONDRES


Estava outro dia conversando online com a minha professora de História da Arte sobre as fabulosas exposiçōes já agendadas pelos museus britânicos para 2014 - e lamentava como é difícil acompanhar todas as mostras. Ela concordou e resumiu com precisão: "So much art... so little time". O tempo é curto mesmo, mas sempre que vou à Londres não deixo de fazer um dos meus programas favoritos: visitar a Tate Modern - que reúne um espetacular acervo de obras modernas e contemporâneas. Localizada no Bankside, a Tate organiza sempre exposiçōes fabulosas: no ano passado eu e o Mike vimos as retrospectivas da carreira de Paul Klee e Roy Lichtenstein


Da esquerda, em sentido horário: "Endless Rhythm" (1934) de Robert Delaunay; eu, super feliz ao lado de
 "Composition C  (N III)  With Red, Yellow and Blue", (1935), de Piet Mondrian;
"Painting"(1927), de Jean Miró; e "Swinging"( (1925), de Wassily Kandisnky - todas obras do acervo
permanente da Tate Modern
Na última semana visitamos parte do acervo permanente da Tate: as alas "Poetry and Dreams " e "Structure and Clarity ". Em uma palavra: es-pe-ta-cu-lar !!! Eu e o Mike apreciamos obras-primas de Picasso, Miró, Dalí, Mondrian, Kandinsky, Robert Delaunay, Henry Moore, e também brasileiros como Hélio Oiticica e Sergio Camargo. Deixo as imagens que fiz (é permitido fotografas sem flash) falarem por si. 


Da esquerda: os brasileiros Sergio Camargo : 'Large Split Relief N 34/4/74' (1964)
 e Helio Oiticica 'Bilateral Teman BIL 003' (1959)


Somente telas de Pablo Picasso: a maior, em cima é "Nude Woman With Necklace" (1968); na parte de baixo, da esquerda:
"Bust of a Woman "(1909); "Weeping Woman " (1937); e "Bust of a Woman " ( mesmo título da outra, mas produzida em 1944).





CARTEIRA DE MEMBRO DA TATE


Um dos presentes de Natal que o Mike me deu e eu mais gostei foi a carteirinha de membro da Tate Gallery. Se tornando uma 'Tate member ', como eles dizem, a pessoa dá uma contribuição financeira anual que ajuda a manter a qualidade da programação do Museu e a incrementar o acervo da instituição. Segundo o guia que eu recebi em casa, algumas obras importantíssimas foram adquiridas graças ao apoio dos membros - como, por exemplo, 'The Three Dancers", de Picasso, "The Sail", de Henri Matisse, e "Quattro Stagioni", de Cy Twombly. 

Por outro lado, o 'sócio' desfruta de alguns benefícios, como:  entrada livre e sem enfrentar filas (o que é uma benção) em todas as exibiçōes; download gratuito no Ipad da Tate ETC - revista de arte super incrementada; recebimento, em casa, da Tate Guide, publicação impressa com as novidades da programação na Tate; acesso ao charmoso lounge da Tate London - que conta com um bar e uma vista deslumbrante do Rio Tâmisa; e desconto nas lojinhas do museu.  


Tate Patrons apreciam um tour VIP

Há diversas formas de contribuição anual - a partir de 62 libras ( veja aqui ). Agora, se você realmente quiser fazer uma contribuição significativa, pode se tornar um Tate Patron.  Os patronos contribuem mais (a partir de 1250 libras por ano), mas também têm privilégios bem bacanas, como visitas a estúdios de artistas e coleçōes privadas, tours especiais dentro da galeria, e convite para vernissages e festas de lançamentos de exibiçōes. 

Quanto mais o patrono contribuir (há carteirinhas para vários tipos de contribuiçōes: silver, gold e platinum), mais benefícios recebe, of course. Por exemplo: os generosos Platinum Patrons (10 mil libras anuais) recebem convites para jantares com diretores e curadores da Tate e artistas premiados; têm acesso especial nas maiores feiras de arte ao redor do mundo (como a badalada Bienal de Veneza) e fazem uma viagem internacional acompanhados por especialistas da Tate - recentemente alguns patronos estiveram visitando museus em São Paulo. Tudo isso, com tratamento VIP, é claro. ..

WALKER GALLERY EM LIVERPOOL


Aberta para o público em 1877, com um pequeno acervo, a Walker Art Gallery, aqui em Liverpool, cresceu e hoje é um dos dos museus mais importantes da cidade. Entre as jóias de sua coleção, quadros de mestres como Rembrandt, Monet, Cézanne, Degas, Matisse e esculturas de Rodin. Já nas galerias de arte contemporânea, há peças de David Hockney e Lucien Freud, entre outros. 

Como todos os museus, a Walker Gallery aposta na interatividade com o público - os visitantes são convidados a 'colocar a mão na massa' e desenhar, montar quebra-cabeças, sentir as texturas das obras e escrever suas impressōes sobre as exibiçōes.

Além de pinturas, o museu tem uma coleção muito interessante de mobília, cerâmica e vestuário.


Interatividade na Walker Gallery: em cima: o público é convidado a tocar os quadros para sentir a diferença entre as texturas das telas; em baixo: quebra-cabeça que reproduz a tela
e painéis eletrônicos 'conversam' com os visitantes 


Eu sei ser interativa: já que o museu convidou os visitantes a sentar nas cadeiras de designers famosos (como Phiilip Stark ) , eu não me fiz de rogada…


LONDRES: EXPOSIÇÃO SOBRE VIVIEN LEIGH


Quem não lembra dela como a deliciosamente arrogante e mimada Scarlett O 'Hara do filme  "E o vento levou"? Esse foi, sem dúvida, o papel que trouxe fama e prestígio (sem contar um Oscar  !) à Vivian Leigh; mas a atriz inglesa teve uma carreira estupenda, como mostra a exposição no National Portrait Gallery , em Londres. Celebrando o centenário de nascimento de Vivien, a exibição inclui mais de 50 fotografias da atriz - que era belíssima - em cliques de Cecil Beanton, James Abbe Jr e Norman Parkinson, entre outros fotógrafos consagrados.  


Eu amei a exposição sobre a vida e carreira da atriz Vivien Leigh

Vivien e o ator Lawrence Olivier eram o casal mais badalado dos anos 30/40, interpretando juntos peças de peças de Shakespeare e outros clássicos do teatro. Depois de conquistar Hollywood e o mundo como Scarlett, Vivien fez ainda muitos outros filmes maravilhosos;  eu especialmente gosto de "Um Bonde Chamado Desejo", quando conquistou um segundo Oscar e contracenou com Marlon Brando.  

Além de fotos, a exposição inclui capas de revistas com Vivien (sempre muito linda !), material publicitário e recortes de jornais sobre a atriz.  Quem quiser conferir, a mostra acontece até o dia 14 de julho.

LONDRES : PAUL KLEE NA TATE GALLERY


As telas coloridas e iluminadas de Paul Klee (1879-1940) tomaram conta da Tate Gallery, em Londres, nesse final de ano. Eu e o Mike visitamos - e nos maravilhamos - com a exposição Making Visible, que faz uma detalhada retrospectiva da carreira do artista - de 1912 até o final de sua vida. São 130 telas distribuídas em 17 salas - reserve boas duas horas para visitar a mostra. Esse quadro aí de cima é Fire at Full Moon (1933).


'A Young lady's adventure' , de 1933
Contemporâneo de Picasso e Kandinski, Klee  foi mestre das linhas e do uso das cores. Produziu telas de tamanho pequeno, mas nada tímidas; belíssimas composiçōes abstratas, repletas de luz e cores. Klee era um mago das cores -  são dele frases como  "Colour possesses me", "Colour and I are one".

Klee se reinventou com o passar do tempo: sofreu inspiração surrealista, cubista e, no fim da vida, deixou um pouco de lado a exuberância das cores do início da carreira e produziu quadros com formas geométricas e com uma paleta mais sóbria.

Klee foi também professor na Escola de Artes Bauhauss (onde trabalhou de 1921 até 30) e na Academia de Düsseldorf (de 30 até 33, quando foi demitido pelos nazistas) - ambas centros de arte de vanguarda na Alemanha. Foi professor e teórico de arte - formulava conceitos, interpretava teorias de luz e cores e escreveu livros e ensaios que são referências até hoje. 



COMO ENTENDER ARTE MODERNA ?


Você adora visitar exposiçōes de arte moderna, mas não conhece muito sobre o assunto? Muitas vezes se sente confuso com o que vê nas paredes de museus e galerias? Vou dar uma dica preciosa: procure ler um pouco antes de visitar uma exibição. Ah - você diz - mas isso eu sempre faço: sempre dou uma 'googlada' no artista e leio o básico sobre ele. Ah, respondo eu, isso não basta. Dica prática: para entender melhor sobre arte moderna tem que conhecer alguns conceitos básicos : não apenas um pouco da biografia do artista, mas também o contexto social e histórico no qual determinado movimento (Impressionismo, Surrealismo etc) surgiu e os elementos que os pintores utilizam na produção da obra - como o uso de cores, linhas, formas e contrastes, por exemplo.

Caramba, mas tem que ler tanto para entender? Ué - você junta seu rico dinheirinho para fazer uma viagem pela Europa, tem a chance de visitar os melhores museus do mundo (aqui na Inglaterra e também na França, Espanha etc), enfrenta filas enormes para conhecer o acervo e as exposiçōes temporárias e vai ver os quadros sem entender muito do que se trata só para poder falar (para si mesmo e para os outros) que viu? 


O que será que eles queriam dizer? Da esquerda, no sentido horário: "Portrait of Man With Glasses III", 1963, de Francis Bacon; "Les Demoiselles d'Avignon", 1907, de Pablo Picasso;
 e "I and The Village", 1911, de Marc Chagall

Minha coleção de livros sobre Arte está crescendo
Entender melhor uma obra de arte faz, é claro, com que a gente aprecie a peça sob novos ângulos. Por exemplo: a gente se depara com uma tela de Marc Chagall, aquelas vacas e igrejas misturadas com pessoas felizes e flutuando e pensa: o que será exatamente isso? Lendo sobre o contexto a gente entende que Chagall recém chegado e vivendo na movimentada Paris no início do século 20, sofria de saudades de sua Rússia natal - eram sentimentos de felicidade pelo novo e nostalgia pela vida que deixara para trás na cidadezinha rural de onde veio.  Então ele pintava sobre isso: nos seus quadros da época sempre percebemos essa dualidade de sentimentos.

Outro exemplo: lendo sobre a importância e função das cores numa composição, podemos apreciar melhor, por exemplo, as obras luminosas de Paul Klee - cuja exposição na Tate, em Londres, é imperdivel. Mais um exemplo: entender que o homossexualismo era considerado ilegal na Inglaterra até 1967 dá para entender melhor a temática gay de tantas obras do artista contemporâneo David Hockney, que é gay e vivia em Londres no final da década de 50.



Duas dicas de livros que ajudam nesse bê-a-bá  sobre Arte Moderna:   "How To Survive Modern Art ", (Como Sobreviver à Arte Moderna) da britânica Susie Hodge, que explica - numa linguagem acessível - como o público deve se aproximar de uma obra artística moderna. A autora descreve a função de cores, formas e temáticas utilizadas por artistas como Picasso, Chagall e Monet (entre tantos outros) e contextualiza movimentos como Impressionismo, Surrealismo, Abstracionismo ( e todos os outros ismos) explicando a importância dos principais artistas da época. 

Mas se você é do tipo que não gosta mesmo de arte moderna - acha que na verdade nem arte, é tudo uma farsa e fica indignado com os preços astronômicos que atingem algumas obras no mercado -  dou uma segunda dica: o livro "Isso é Arte?", do editor de arte da BBC Will Gompertz. Numa linguagem divertida, o autor (que já foi diretor da Tate), cria pequenas ficçōes para rever 150 anos de história da arte - do Impressionismo à produção atual.

Segundo o jornal O Globo, nunca houve tantas pessoas interessadas em arte. Eu sou uma delas: tenho me dedicado a aprender mais sobre arte moderna recentemente - e tenho adorado ! Uma das vantagens de morar na Inglaterra é poder visitar museus e galerias bárbaras, que estão constantemente organizando exposiçōes memoráveis. Londres é o grande centro cultural do país, é claro, com museus como a Tate e o Victoria & Albert Museum, entre outros. Mas outras cidades - como Oxford (a melhor exibição do Reino Unido no momento acontece lá, no Ashmolean  Museum !) e Liverpool (que abriga uma filial da Tate e a Walker Art Gallery, entre dezenas de outras) - também contam com espaços espetaculares. 

Eu tento aproveitar todas as oportunidades - já escrevi  aqui,  aquiaqui , por exemplo, sobre algumas mostras que visitei. Para aproveitar ainda mais minhas visitas aos museus, comecei a fazer cursos de História da Arte na Universidade de Liverpool: o primeiro foi um sobre Marc Chagall e agora estou no meio de um outro, sobre o artista inglês David Hockney

EXPOSIÇÃO DAVID HOCKNEY EM LIVERPOOL


Considerado o pai da arte pop britânica, David Hockey está em uma exposição na Walker Art Gallery, em Liverpool. Com obras produzidas no início de sua carreira (na década de 60), a mostra "Early Reflections "  conta com algumas das mais famosas peças de Hockney, como o quadro "Peter Getting Out of Nick's Pool ", vencedor do prêmio John Moore em 1967. 


"We Two Boys Together Clinging": baseado
em poema

De uma maneira geral, arte contemporânea, como a mostrada nessa exposição de Hockney, não é sempre fácil de agradar a todo mundo. Segundo Susie Hodge, que escreveu o livro (muito bacana e de linguagem super acessível)  "How to Survive Modern Art" ("Como sobreviver à arte moderna"), muitas pessoas ficam confusas diante de algumas obras que vêem em museus. 

Eu concordo. Alguns dos quadros de Hockney, como "We Two Boys Together Clinging", baseado num poema do americano Walt Whitman, podem ser considerados 'difíceis' de serem entendidos. 

Para tentar encorajar o visitante a se aproximar do universo estético do artista, a Walker Gallery está oferecendo eventos como palestras com especialistas (a minha professora na University of Liverpool, Judith Walsh, vai dar uma), além de workhops, visitas guiadas e documentários. Há ainda áudio-guias, que explicam a linguagem estética do artista, assim como suas fontes de inspiração em cada quadro.


Copiando o estilo de David Hockney: jaqueta e bolsa douradas,
peruca loura e óculos pretos gigantes

Dentro dessa proposta de promover uma maior interação com público, duas idéias são bem divertidas: a primeira convida o público a escrever em um  post it colorido o que achou da exposição. (veja a primeira foto: muita gente gostou; alguns admitem que não entenderam muito e outros garantem que seus filhos de 5 anos desenham melhor...) A segunda idéia sugere que o visitante tente copiar o estilo glam de Hockney. Eu experimentei !


Leia também: 
Outra exposição de David Hockney na Inglaterra

EXPOSIÇÃO: BACON E MOORE EM OXFORD


A exposição "Flesh and Bone", em cartaz no Ashmolean Museum, em Oxford, promove um encontro entre as obras de dois gigantes do cenário artístico britânico: o pintor Francis Bacon (1909/1992) e o escultor Henry Moore (1898/1986). Segundo crítica do jornal The Guardian, trata-se de uma das "melhores e mais provocativas mostras do ano". Para o jornal The Times, é "a mais fascinante exibição de 2013". Em outras palavras: imperdível. ainda em lua-de-mel, eu e o Mike fomos até lá conferir. Adoramos.


Primeira foto: a escultura Reclining Figure de Moore.
Acima: Head VI, de Francis Bacon, inspirada numa pintura
 retratando o Papa Inocêncio  IX,
feita por Velasquez

As 60 peças reunidas abordam temas comuns aos dois artistas, especialmente a figura humana,   retratada sempre de maneira distorcida e atormentada por Bacon, e em monumentais esculturas de bronze por Moore. A exposição lembra a influência de mestres do passado - como Michelangelo e Rodin - na obra dos dois britânicos, que são considerados os mais importantes artistas do Reino Unido do século XX.

Bacon e Moore já tiveram suas obras expostas conjuntamente antes - sempre atraindo enorme público. A mostra em Oxford, que vai até o dia 19 de janeiro, promete repetir o sucesso.

CHAGALL NA TATE LIVERPOOL


O universo onírico e colorido de Marc Chagall está em exposição na Tate Liverpool até o dia 6 de outubro. Eu e o Mike visitamos a mostra, que explora o desenvolvimento do artista em meio às tendências modernistas (cubismo e fauvismo) que o influenciaram durante o tempo em que morou em Paris antes da primeira Guerra Mundial. 


Lovers in Blue: homenagem ao seu amor
pela esposa Bella

Muitas das 60 obras em exibição refletem as profundas raízes afetivas do artista com a sua cidade natal, Vitebsk, na Rússia e com sua herança cultural judaica. Outros trabalhos representam as lembranças do tempo em que, de visita à Rússia, acompanhou o desabrochar da Revolução soviética. 

O amor, sofrimento e a morte são temas recorrentes na obra de Chagall, que produziu muito durante os 98 anos de vida. Para entender mais sobre a vida desse extraordinário artista, eu me matriculei num curso na Universidade de Liverpool . Estou bem animada !

A exibição Chagall, Modern Master é a maior retrospectiva da obra do artista  no Reino Unido nos últimos 15 anos.  

EDIMBURGO: INTRIGA E ROMANCE EM EXPOSIÇÃO


Ela é uma das figuras mais enigmáticas da história do Reino Unido: teria sido uma mártir católica, atraiçoada por aqueles em que mais confiava, ou simplesmente uma adúltera, responsável pelo assassinato de seu próprio marido? Os historiadores não chegaram a uma conclusão e ainda hoje,  mais de 400 anos após sua morte, os verdadeiros fatos da vida da rainha Mary da Escócia continuam obscuros. A exposição "Mary, Queen of Scots", em cartaz no National Museum of Scotland, em Edimburgo, pretende, então, jogar luz na biografia nebulosa da monarca.

A mostra reúne jóias, vestuário, peças de mobiliário, pinturas e documentos que ilustram a vida da rainha. É uma oportunidade única, pois a maior parte das 200 peças jamais esteve em exposição pública. Ah, a mostra acontece até o dia 17 de novembro.

A vida da rainha escocesa foi mesmo movimentada: filha única do rei James V, Mary tornou-se Rainha da Escócia aos seis anos de idade. Casou três vezes e enfrentou suspeita de ter sido mandante do assassinato do segundo marido. Foi inocentada, mas sua vida continuou turbulenta: foi forçada a abdicar em 1567 e passou 19 anos prisioneira de sua prima, a rainha da Inglaterra Elizabeth I, até ser executada em 1587. Motivo? Foi julgada culpada numa denúncia de conspiração contra a vida da prima. O seja: a vida de Mary foi repleta de romance e intrigas - e por isso mesmo resultou em inúmeras peças de teatro (me lembro que assisti  no Rio, em 96, à "Mary Stuart", com a Renata Sorrah), livros e filmes.  

TATE MODERN E TATE LIVERPOOL


Um dos mais importantes espaços de exibição de arte no país, a Tate Gallery não é apenas um museu, mas quatro: dois em Londres (Tate Modern e Tate Britain), um em Liverpool (no norte do país) e um em St Ives (em Cornwall, sudoeste da Inglaterra). A primeira Tate foi aberta em Londres  em 1887, com uma reduzida exposição de arte britânica.  De lá para cá o acervo da Tate cresceu de uma maneira espetacular, abrangendo hoje uma das mais significativas coleçōes de arte no Reino Unido - cerca de 70 mil obras. 

Começa na Tate Liverpool, no dia 8 de junho, a mostra Chagall: Modern Master. São mais de 40 telas produzidas durante o período em que o artista viveu em Paris, antes da Primeira Guerra Mundial, e os anos em que morou na Rússsia - sua cidade natal - até a revolução de 1917, que testemunhou. 



As obras expostas registram a movimentação de tropas, êxodo da população, soldados feridos - cenas de amor, sofrimento e morte. A mostra vai fazer um tremendo sucesso, tenho certeza - é a mais completa exposição do artista no Reino Unido nos últimos 15 anos.



Já na Tate Modern, em Londres, vai até domingo, a mostra Lichtenstein, a Retrospective. Um dos mais influentes artistas pop do século XX, o americano inovou ao produzir, na década de 60, peças inspiradas em estórias em quadrinhos, publicidade e outros elementos da cultura de massa. 


O imponente prédio da Tate Modern ao fundo

Eu e o Mike visitamos a mostra - para quem curte pop art é imperdível. Além de obras inspiradas em ícones pop - como desenhos de Mickey ou Pato Donald -, Lichtenstein também se inspirava e recriava em telas icônicas de mestres como Picasso e Matisse. 

Por que o nome Tate para as galerias? Bem, Henry Tate era um um milionário que, no final do século XIX, ofereceu sua bela coleção de arte à National Gallery. Mas como o museu não tinha condiçōes de abrigar as peças, foi criado um espaço especial para elas. Nascia, assim, a Tate.









LONDRES: VICTORIA & ALBERT MUSEUM



Por toda Londres há panfletos e posters anunciando a exposição  sobre a retrospectiva da carreira do camaleão David Bowie, que está acontecendo até o dia 11 de agosto no Victoria & Albert Museum. Você não anda em uma estação de metrô ou pega um ônibus na cidade sem cruzar com enormes posters com fotos do cantor; além disso há anúncios e matérias (super elogiadas, por sinal)  nos jornais e revistas sobre a mostra. Resultado: filas enormes para ver "David Bowie is " - considerado pela mídia e experts o programa imperdível da temporada. Para vocês terem uma idéia: antes mesmo da abertura, a retrospectiva quebrou os recordes de bilheteria do museu com 50 mil ingressos vendidos com antecedência !

O museu reuniu mais de 300 objetos que contam a estória da vida e obras do músico: instrumentos pessoais, figurinos icônicos usados em show ( como o de Ziggie Stardust, criado por Freddie Burretti), fotografias e filmes. Para os fãs de Bowie, é um programaço. O que fica claro e é super interessante de ver é o foco de Bowie com a sua imagem e a maneira como acompanhava todas as etapas da criação, do som ao cenário, passando pela iluminação. 


Aprenda a fazer uma colagem pop no museu

Além de visitar a exposição, o visitante pode participar de uma das várias palestras e workshops inspiradas na mostra - já sonhou em ser músico? Pois use toda a sua criatividade e aprenda a criar a capa de seu próprio CD. Ou aprenda com um time de designers as técnicas para fazer uma colagem vintage, bem ao estilo Bowie. A criançada também pode participar - elas vão adorar exagerar na maquiagem, vestir um traje exuberante e ser clicadas por um fotógrafo profissional como se fossem pop stars. 





Outra mostra super bacana que está acontecendo agora no V & A Museum é " Treasures od the Royal Courts: Tudors, Stuarts and The Russian Tsars" , que exibe objetos magníficos trocados entre membros da diplomacia do Reino Unido e a Rússia durante os reinados de Henrique VIII, Elizabeth I e Ivan, o Terrível. Muitas jóias, portraits, luxo e exuberância (até mesmo em armaduras (!), nunca imaginei que uma armadura de cavaleiro medieval pudesse ser luxuosa!!!). A exposição acontece até 14 de julho.








V & A Museum: o mais importante museu de arte e design do mundo

O Victoria & Albert Museum é maravilhoso. Considerado o melhor museu de arte e design do mundo, tem um acervo permanente espetacular,  organizado em cinco grandes temas: Ásia; Europa; Materiais e Técnicas; Modernidade e Exibiçōes. Além de quadros, há coleçōes sensacionais de jóias, fotografias, esculturas, moda, mobiliário, tapeçaria, desenjos e gravuras.  As exposiçōes temporárias atraem multidōes sempre. Fique de olho no calendário: para quem gosta de moda, tem sempre uma mostra diferente acontecendo - a partir de 10 de julho o museu inaugura a "Club to Catwalk: London Fashion in the 19080's".  

O museu, que comemorou 150 anos em 2007 com grande pompa e circunstância, é enorme. É claro que não dá para visitar tudo de uma só vez... Mas não deixe de reservar um tempinho para conhecer - e tomar uma xícara de chá - no lindo café do museu, o primeiro restaurante de museu do mundo!  

Leia também:

Londres: Freud Museum
Londres: Royal Opera House
Londres: Dicas de Passeios



LONDRES: FREUD MUSEUM

Eu visitei em Londres aquela que é provavelmente a mais famosa peça de mobília do mundo: o divã onde os pacientes de Freud se deitavam e contavam seus sonhos, traumas e fobias. Divã, livros, coleção de arte, documentos e muito mais fazem parte do Freud Museum -  a casa onde o pai da psicanálise viveu no último ano de sua vida. É um passeio muuuuuito bacana!!!

Freud mudou-se, com sua família, para a espaçosa casa em Maresfield Gradens, número 20, em setembro de 1938, fugindo do nazismo. Ele hesitou em deixar a Áustria, apesar de suas obras terem sido queimadas e da crescente  perseguição a muitos psicanalistas da comunidade judaica. Mas quando sua filha Ana foi levada até o quartel-general da Gestapo para interrogatório, Freud decidiu, com tristeza, deixar Viena (e a casa onde viveu por 47 anos). 



Freud levou para Londres muitos de seus e objetos favoritos - quadros, pequenas esculturas e obras de arte grega, egípcia e romana que colecionou por décadas - recriando assim o mesmo ambiente de trabalho que tinha na Áustria. No novo escritório, o cientista, mesmo adoentado -  sofria de câncer na garganta - continuou a escrever (completou e publicou "Moises e o Monoteísmo") e a receber alguns pacientes. Freud também trouxe de Viena seus livros preferidos - não apenas sobre psicanálise, mas obras de Shakespeare, Flaubert, Goethe e de assuntos variados como arqueologia, arte, história e filosofia. Infelizmente é proibido tirar fotos do escritório...

Ah, o museu anunciou recentemente que o divã vai passar por uma renovação de cerca de 5 mil libras. 

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