SERVIÇO DE SAÚDE NA INGLATERRA


O serviço público de saúde na Inglaterra (National Health Service , ou simplesmente NHS ) é realmente muito eficiente e organizado. Para vocês terem uma idéia dessa organização, eu vou contar a experiência que tive com o meu cadastro e a primeira avaliação médica (um check-up) - passos necessários para ter acesso à rede. Na foto acima você vê a entrada do Royal Liverpool University Hospital - o maior da cidade. 

1. Bem, o primeiro passo foi fazer o meu registro online - preenchendo dados básicos como nome, idade e endereço. Lembrando: criado em 1948, o NHS oferece atendimento de qualidade e gratuito a todos os residentes legais do Reino Unido. 

Depois de  preencher meus dados online, escolhi o posto médico mais conveniente para mim (perto da minha casa) e marquei uma consulta de avaliação da minha saúde. Isso foi tudo feito online e não demorou mais que 5 minutos.


O posto de saúde do NHS em Liverpool onde
eu tive minha consulta

2. No dia da consulta, me dirigi ao posto de saúde. Fui atendida, na hora marcada, por uma enfermeira que me fez perguntas sobre o meu histórico de saúde, alimentação e estilo de vida; tirou a minha pressão e me pesou. Mesmo estando com peso e pressão normais, ela me ofereceu várias dicas sobre nutrição balanceada e como evitar risco de desenvolver doenças cardiovasculares etc - informaçōes claras e precisas. 

O NHS se preocupa muito com a prevenção de doenças e em estimular hábitos saudáveis. Por isso, a instituição desenvolve  campanhas anti-tabagismo, estimula atividades físicas e encoraja cuidados com o bem estar mental.  Recebi vários folhetos com outras dicas sobre todos esses assuntos.

3. Em seguida, me dirigi a uma outra sala para fazer um exame de sangue. 

A consulta + exame duraram cerca de 50 minutos. Me avisaram que receberia, por email, o resultado dos exames em breve. Se os exames apresentassem algum problema, eu seria convidada a repeti-los e, confirmando o resultado, seria encaminhada para um médico.

4. Dois dias depois recebi por email o resultado dos exames de sangue (tudo normal!).

A partir de agora, cada vez que eu necessitar, eu posso ir até esse mesmo posto de saúde - não há necessidade de marcar uma consulta. Lá, serei atendida por um médico clínico geral (GP, em inglês). Se necessário, ele encaminha os pacientes para um especialista - ortopedista, cardiologista etc - que trabalha em algum hospital da rede. 


Nesse posto de saúde há também uma farmácia, onde aposentados e outras pessoas que têm direito a benefícios podem recolher os medicamentos receitados pelos médicos sem custos.



Isso é o básico. O NHS oferece vários outros serviços, entre eles:


  • Pacientes idosos e os que apresentem alguma condição de saúde que deve ser acompanhada são avisados regularmente - por meio de correio, emails, ou por mensagem no celular - das datas de exames e consultas periódicas;
  • Pacientes com problemas como alcoolismo, ansiedade e sobre peso, por exemplo, contam com grupos de apoio para lidar com o problema/ condição;
  • Adultos com mais de 40 anos são convidados a fazer check up regulares para avaliar risco de desenvolverem doenças cardiovasculares ou diabetes, por exemplo;
  • Pacientes interessados em monitorar consumo de calorias, álcool ou o ritmo de sua atividade física, por exemplo, contam com  apps desenvolvidos pelo NHS e que podem ser baixados em celulares ou tablets. 

ESSES INGLESES PENSAM EM TUDO...


Esses ingleses pensam em tudo mesmo... - estão sempre inventando novidades para assegurar a segurança e qualidade de vida do cidadão. Passeando pelas ruas de Stratford-Upon-Avon, me deparei com esse defibrillator - isso mesmo ! um desfibrilador, aquele aparelho que emite uma descarga elétrica ao coração no caso  de arritmia ou algo semelhante. 


O aparelho fica no meio da rua - bem ao lado de um restaurante -  dentro de uma caixa amarela. Qualquer um pode acessá-lo, 24 horas por dia, e ajudar uma outra pessoa que esteja apresentando sintomas de ataque cardíaco. Basta ligar para 999 (o número de emergência aqui no Reino Unido) que você recebe um código para abrir a caixa. O aparelho dispensa treinamento específico para a sua utilização - qualquer um pode manejá-lo. Assim que é ligado, o desfibrilador começa a monitorar a atividade cardíaca do indivíduo e fornece instruçōes de uso. Enquanto isso, uma ambulância se encaminha para o local  - cada caixa tem um número que corresponde à sua localização na cidade. Genial, né? 

Desfibrilador na rua atende emergências

Nesses dias de Copa do Mundo, um aparelho como esse seria bem-vindo né? no caso de alguém se emocionar demais durante a transmissão de algum jogo do Brasil ...

ALUNOS USAM PLÁSTICO-BOLHA CONTRA STRESS


Você anda estressado com o dia-dia-? Que tal fazer como os alunos da Universidade de Leicester, na Inglaterra, que encomendaram centenas de metros de plástico-bolha para aliviar a tensão ? O centro acadêmico da universidade organizou pit stops por todo o campus onde os jovens podem parar, descansar dos estudos e estourar as bolhas. E está dando certo: os alunos garantem que a estratégia é mais eficaz que meditação ou fazer ioga !


Aluna da Universidade de Bath: combate ao stress
Outra estratégia criativa para combater o stress tem sido usada pela Universidade de Bath: é a petting zoo, na qual os alunos, para relaxar, alimentam patos, fazem cafuné em carneirinhos ou cavalos. Os animais ficam no campus (mais especificamente, em frente à biblioteca) em certos dias do ano - um pouco antes de começar o calendário de provas. A idéia tem feito sucesso; interagir com os pets transmite uma sensação de tranquilidade, garantiram os alunos à BBC.   

Os especialistas explicam que stress é a resposta do corpo humano à algum tipo de pressão emocional ou física. E saber lidar com esse tipo de pressão é fundamental; um pouco de stress é bom: pode te ajudar a melhorar sua performance acadêmica. 

AÇÚCAR É O NOVO TABACO ?


A nova polêmica a sacudir a Inglaterra envolve as áreas da saúde e nutrição: o grupo Action On Sugar, formado por médicos e outros especialistas, lançou ontem uma campanha para alertar o público sobre os altos níveis de açúcar nos alimentos industrializados. O ingrediente é responsável pelo aumento do risco de doenças como a Diabetes tipo 2 e 'a maior causa da epidemia de obesidade no país', segundo o jornal The Independent. Cerca de dois terços dos adultos e mais de um quarto das crianças são obesas no país e, ainda segundo a publicação, a epidemia da obesidade custa mais de 5 bilhōes de libras aos cofres públicos por ano - valor que pode subir para 50 bilhōes (!!) em 2050. 

Açúcar é acusado de ser o 'novo tabaco' - conduzindo a uma adição muito arriscada.
Especialistas apontam para o perigo do hidden sugar (açúcar escondido) nos alimentos industrializados. E garantem que se os maiores fabricantes reduzissem em 20 a 30 %  a quantidade do ingrediente em seus produtos, a epidemia de obesidade poderia ser controlada. Graham McGregor, professor of medicina cardiovascular no Wolfson Institute of Preventative Medicine e representante do grupo Action On Sugar, alerta para a responsabilidade do governo - que deve agir rapidamente.

MÉDICOS ESTRANGEIROS NA INGLATERRA


O projeto do Governo de levar médicos estrangeiros ao Brasil para atenderem os pacientes do SUS em regiões pobres, onde a assistência à saúde é considerada deficiente, tem causado muita polêmica. Vou falar hoje sobre a experiência do Reino Unido, onde o sistema público de saúde também emprega médicos de outros países, como Índia, Egito e Nigéria. O Reino Unido tem cerca de 253 mil médicos registrados - desse total 92 mil receberam qualificação profissional em outros países.


O General Medical Council (semelhante ao nosso Conselho Federal de Medicina) exige, é claro, documentação com comprovação de qualificação profissional. Mas o órgão não exigia certificado de proficiência em língua inglesa aos médicos que vinham da União Européia - cerca de 25 mil. Mas agora a situação mudou - mesmo eles vão precisar mostrar, a partir do ano que vem, que sabem se comunicar em inglês. Essa exigência da língua pode parecer um detalhe, mas não é.  Já houve inúmeras denúncias de casos de complicaçōes médicas causadas pela falta de entendimento entre médicos estrangeiros e pacientes / enfermeiras britânicos. Repito a indagação da colunista Claudia Collucci, na Folha de São Paulo, ontem: " Como é possível estabelecer uma relação médico-paciente, um diagnóstico correto, se o médico não compreende o paciente e vice-versa?"  


Existe ainda o temor que os médicos estrangeiros tenham tido um treinamento menos rigoroso. No final do ano passado o Sunday Telegraph fez uma reportagem afirmando que três quartos dos médicos impedidos de clinicar no Reino Unido eram estrangeiros. Só para ilustrar: em 2008, na região de Cambridgeshire, um paciente teve a morte causada por um médico nigeriano, que administrou uma dose 10 vezes maior do que a normal de um analgésico. O médico confessou ter se confundido com a diferença entre medicamentos usados no Reino Unido e na Alemanha, onde se formou. O caso, é claro, teve enorme repercussão no país.

Ou seja: trazer médicos estrangeiros é complicado. Na verdade, o problema não se resolve importando médicos - o governo deveria tratar da infra-estrutura do sistema de saúde: hospitais, postos de saúde, farmácias populares etc. Aliás, sobre o assunto, a cirurgiã carioca Juliana Mynssen da Fonseca Cardoso, ao escrever " O dia em que Dilma cuspiu no rosto de 370 mil médicos brasileiros ",  fez um lindo e emocionante desabafo que já foi lido por milhares de pessoas. 




SISTEMA SAÚDE BRITÂNICO


O sistema público de saúde no Reino Unido (National Health System - NHS) é considerado um dos melhores do mundo. E deve ser mesmo; a minha experiência é a melhor possível. Em 2010, tive uma infecção estomacal braba. O Mike telefonou para o 999 no meio da madrugada e os paramédicos, com uma ambulância, chegaram em menos de 10 minutos ao nosso apartamento. Na emergência do Liverpool Royal Hospital - hospital público, mas que parece hospital brasileiro particular de qualidade superior - fui atendida imediatamente por médicos e enfermeiras de plantão, de uma maneira educada, atenciosa, mega profissional, eficiente e rápida. Fiz, em menos de 15 minutos, exame de sangue e outros que eles julgaram necessários. O resultado dos exames foi super rápido, assim como o diagnóstico. Depois de medicada, permaneci numa enfermaria, em observação, por algumas horas, sempre sob a supervisão de um médico. Melhorei e recebi alta. Não paguei absolutamente nada; ninguém sequer solicitou algum documento meu. Ou seja: se você está no Reino Unido e tem o infortúnio de ter uma emergência médica, o NHS te acolhe. 



Se eles tratam com tanto respeito uma estrangeira, que na época era apenas uma turista na cidade, imagine o tratamento recebido pelos cidadãos. O Reino Unido gasta 8,2% do PIB em saúde - e a gente percebe que o dinheiro é realmente investido em manutenção, modernização e capacitação de profissionais. 





O respeito com os pacientes - que foram ou ainda são contribuintes - é grande. Pacientes que tiveram alta, mas não têm carro, não podem se locomover para pegar transporte público ou não têm dinheiro para pagar um táxi são transportados em mini-ônibus para casa. Idosos que tiveram alta mas vivem sozinhos e precisam de cuidados (como alguém para fazer curativos, por exemplo) são visitados regularmente por especialistas - enfermeiros ou assistentes sociais. Dependendo do caso, cuidados com a higiene e até mesmo o preparo de refeiçōes são assegurados até o restabelecimento. 

O sistema público britânico, para mim, brasileira acostumada com o descaso do SUS, é uma maravilha. Mas o NHS está sempre na mira da mídia, que aponta qualquer irregularidade ou falha. No ano passado, uma pesquisa revelou que a a satisfação com o serviço sofreu uma significativa queda - apenas 58% do público se mostrou satisfeito - no ano passado o nível de satisfação era 70%. A insatisfação é devida aos recentes cortes em investimentos  - medida intolerável para a população. 

Se você mora por aqui legalmente, o procedimento para ter direito a receber atendimento regular do NHS é: acessar o site do NHS para se cadastrar e obter uma lista de GPs ('general practitioner', clínico geral) perto de onde você mora. Esse clínico te encaminhará para o especialista (e hospital) em caso de necessidade. 

COMO MONITORAR SUA SAÚDE


Cresce na Inglaterra um grupo chamado 'Quantified Self' , composto por pessoas de todas as idades que obsessivamente coletam, classificam e analisam dados sobre seu próprio estilo de vida. Como eles fazem isso? Por meio de aplicativos em seus smartphones, que diariamente oferecem informaçōes de todos os tipos - algumas simples como peso e massa muscular, e outras mais sofisticadas como o nível de glicose no sangue ou a atividade cerebral durante o sono. Para que essas pessoas fazem isso? O objetivo é monitorar a saúde e melhorar a qualidade de suas vidas. 

O grupo usa a tecnologia disponível em smartphones para aprender sobre o funcionamento de seus próprios organismos. Você sabia que existe um aplicativo que pode monitorar a quantidade de álcool que você ingere, analisando o seu valor calórico e como ele afeta o seu organismo? Ou um outro que acompanha e mapeia os momentos do dia em que você é mais feliz ? Pois eles existem!

O grupo, originariamente formado nos EUA, começou a se reunir em Londres, em 2010. Eles se encontram regularmente e participam de palestras proferidas por cientistas e especialistas em TI, que explicam como os os aplicativos funcionam. Em comum, essas pessoas desfrutam um desejo por uma vida saudável. Muitos já convivem com algum tipo de  doença - como diabetes ou alergias - e procuram formas de lidar com os sintomas.