"I know I have the body of a weak and feeble woman, but I have the heart and stomach of a king", ("Eu sei que tenho o corpo de uma mulher frágil e fraca, mas possuo o coração e estômago de um rei", disse Elizabeth I às suas tropas durante a Guerra Anglo-Espanhola. E ela não estava brincando. Durante o seu reinado (1558-1603), a Inglaterra tornou-se a maior potência da Europa e conheceu um intenso esplendor cultural (só para lembrar: William Shakespeare e Christopher Marlowe viveram na época Elizabetana). Mas tanto sucesso teve um preço em sua felicidade pessoal. Segundo um livro que li recentemente, Elizebeth - filha de Henrique VIII e Ana Bolena - era, na verdade, uma solitária. Ficou conhecida como a Rainha Virgem: não casou e nunca teve filhos.,
Elizabeth I é, sem dúvida, uma das monarcas favoritas na imaginação e na curiosidade da população por aqui. Mas não é só ela que faz sucesso entre os moradores da Inglaterra - há outros dois queridinhos: a rainha Victoria e o rei Henrique VIII. E o que os três têm em comum? Eram todos, à sua maneira, carismáticos - e deixaram um legado histórico fabuloso para o país.
Tudo bem que Henrique VIII, que reinou de 1509 a 1547, seja mais conhecido por ter casado seis vezes. Mas o maior legado do monarca foi, é claro, ter rompido coma Igreja Católica, e criado a Igreja Anglicana.
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| A imagem mais reconhecida de Henrique VIII : altivo e majestoso |
Eu aprendi recentemente que Henrique VIII construiu inúmeros palácios por todo o Reino Unido. A paixão do rei por construir palácios é lendária - todos projetos grandiosos e modernos para a época, que visavam mostrar a grandeza, poder e opulência do estilo de vida da realeza (escrevi um post sobre isso aqui).
Já a rainha Victoria reinou o Reino Unido de 1837 até morrer, em 1901. Durante seu reinado, o Reino Unido conheceu uma notável expansão industrial, científica e militar, que refletiu também num desenvolvimento cultural. Liverpool, onde moro, cresceu absurdamente na época como principal porto do país, e a população aumentou rapidamente. (para você ter uma idéia, somente no ano de 1847, cerca de 300 mil pessoas migraram para a cidade atrás de novas oportunidades de vida).
Victoria, ao contrário de Elizabeth I, foi muito feliz na vida pessoal: casada com o príncipe Albert, teve nove filhos. São muitas as imagens do jovem casal, feliz, cercado dos filhos e transmitindo um sentimento de marital bliss (felicidade matrimonial).
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| A tradição de enfeitar a casa com uma árvore de Natal foi trazida para a Inglaterra da Alemanha, pelo príncipe Albert, marido da rainha Victoria, em 1841. Ele introduziu o hábito no país montando uma bela árvore no castelo de Windsor |
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Intriga, inveja e paixão na vida de
Mary, rainha da Escócia |
A vida desses reis e rainhas são recheadas de inveja, intriga e paixão - por isso mesmo mini-séries e livros sobre dinastias britânicas fazem tanto sucesso. Se você gosta de um drama real, nada se compara à vida de Mary, rainha da Escócia. Ela é uma das figuras mais enigmáticas da história do Reino Unido: teria sido uma mártir católica, atraiçoada por aqueles em que mais confiava, ou simplesmente uma adúltera, responsável pelo assassinato de seu próprio marido? Os historiadores não chegaram a uma conclusão e ainda hoje, mais de 400 anos após sua morte, os verdadeiros fatos da vida da rainha Mary da Escócia continuam obscuros.
A vida da rainha escocesa foi mesmo movimentada: filha única do rei James V, Mary tornou-se Rainha da Escócia aos seis anos de idade. Casou três vezes e enfrentou suspeita de ter sido mandante do assassinato do segundo marido. Foi inocentada, mas sua vida continuou turbulenta: foi forçada a abdicar em 1567 e passou 19 anos prisioneira de sua prima, a rainha da Inglaterra Elizabeth I, até ser executada em 1587. Motivo? Foi julgada culpada numa denúncia de conspiração contra a vida da prima. Eu vi uma exposição fabulosa sobre a vida da monarca em Edimburgo, no ano passado.