LIVERPOOL : HOMENAGEM ÀS VITIMAS DA GUERRA


A igreja St Luke's, em Liverpool, está prestando uma homenagem muito comovente aos moradores da cidade que foram vítimas do intenso bombardeio alemão durante a Segunda Guerra Mundial. Do lado de fora da igreja foram colocados painéis que mostram fotos antigas da destruição causada pelas bombas na cidade e também listas com nomes dos cerca de 4 mil moradores de Liverpool mortos durante o ataque. 


Close de uma das fotos que mostram a destruição em Liverpool depois
de intenso bombardeio durante Segunda Guerra Mundial
Destruição no quintal de casa em Liverpool
Liverpool sofreu intenso bombardeio durante a Guerra


Lista dos mortos da cidade, vítimas do bombardeio alemão

A própria igreja foi bombardeada durante a Guerra - seu telhado, vitrais e a parte de dentro foram totalmente destruídas. Mas, significamente, as paredes da igreja permaneceram de pé. No final da guerra, a cidade decidiu não reconstruir a igreja e deixá-la dessa maneira, só com as paredes. Ou seja: a igreja - que é conhecida por todos os moradores da cidade como a “Bomb Out Church”, que significa igreja bombardeada - funciona como uma lembrança, uma homenagem às vitimas da guerra. Hoje em dia há um jardinzinho lá dentro, onde acontecem pequenos eventos culturais aí dentro - como cinema ao ar livre

VIAGEM AO PAÍS DE GALES 2


Na nossa viagem ao País de Gales decidimos nos hospedar em um local especial, repleto de história; a idéia era entrar no clima da riqueza cultural do país. Escolhemos, então, essa belíssima mansão histórica da foto acima, chamada de Plas Dinas - localizada pertinho do vilarejo de Caernarfon, no norte do país. 

A mansão, que pertenceu à família de Lord Snowdon, cunhado da rainha Elizabeth, foi transformada em um pequeno e exclusivo hotel, com apenas 10 quartos. 
Da esquerda, em sentido horário, detalhes da linda mansão histórica em que ficamos hospedados :
gramofone, foto do casamento da princesa Margaret e o nosso quarto
O serviço é cinco estrelas, e há muitas referências à realeza pela casa - como fotografias da princesa Margaret (irmã da rainha) e de Lord Snowdon, que quando recém casados passaram muitas temporadas na mansão. 


Essa mansão-hotel fica perto de uma região conhecida como Snowdonia - cujo nome vem da montanha mais alta do país, a Snowdon (1.085 metros). 
Brincando na neve - em Snowdonia !
Vale o passeio no trenzinho, que leva até ao pico os visitantes que desejarem apreciar melhor a vista (mas atenção: o trem não está funcionando no momento por causa do rigor do inverno; o passeio recomeça a partir de 20 de março). Dá para ver pela foto acima que no momento só tem snow (neve) mesmo em Snowdonia kkkk !

Como mostrei aqui, no norte do País de Gales há alguns dos mais lindos castelos medievais do Reino Unido. Mas, além deles, há algumas outras surpresas deliciosas na região. A maior delas foi me deparar com uma vila italiana !!!


E eis que surge uma vila italiana no norte do País de Gales !
O vilarejo de Portmeirion foi concebido e construído por um arquiteto inglês que adorava a ambiente de cidadezinhas litorâneas italianas. Esse arquiteto - Clough Williams-Ellis - comprou um terreno gigantesco na década de 20 e, ao longo de 50 anos, foi construindo prédios, jardins e trazendo para o vilarejo monumentos que imitam a arquitetura, as cores e o charme da Itália.


Cores e charme italiano no meio do País de Gales !
É uma idéia meio kitsch, é claro, mas não deixa se ser uma homenagem à Itália. O fato é que Portmeirion virou ponto turístico no País de Gales - fica repleto de visitantes no verão !!


Homenagem à Itália no norte do Páis de Gales
Leia também:

Viagem ao País de Gales - parte 1

VIAGEM AO PAÍS DE GALES PARTE 1




Visitei recentemente o País de Gales - que acredito não ser muito badalado entre brasileiros. Mas trata-se de um passeio espetacular, que recomendo muuuuito ! Localizado a oeste da Inglaterra, o País de Gales (Wales, em inglês) tem paisagens deslumbrantes, um povo muito acolhedor e, principalmente,  uma patrimônio cultural riquíssimo. Você sabia que a nação é conhecida como a "terra dos castelos"? Há 641 no país ! Esse da foto aí de cima é o Chirk Castle - construído em 1295 ! 



Saímos de Liverpool (norte da Inglaterra, onde moramos) e em menos de 40 minutos de carro atravessamos a fronteira entre a Inglaterra e País de Gales (como o País de Gales faz parte do Reino Unido, não existe posto de imigração). Como você pode notar  na imagem da placa de boas vindas aí do lado, além do inglês os habitantes falam o galês - línguazinha complicada... Todos as placas, sinais de trânsito e turísticos, cardápios em restaurantes etc apresentam as duas línguas. 


Adoro viagens de carro - e dessa vez não foi diferente. Foi genial poder observar a linda paisagem do norte do país. Olhe só a foto que tirei  -   carneirinhos pastando e ao fundo o lindo mar da Irlanda. Não parece um sonho?


Mar da Irlanda ao fundo e a paisagem bucólica do norte do País de Gales

Mas como o País de Gales é pequeno (apenas 270 quilômetros de norte a sul e 100 quilômetros de leste a oeste !), alguns quilômetros depois a paisagem já é totalmente diferente: montanhas e picos cobertos de neve substituem a praia e o mar. 


Logo a paisagem muda : montanhas com neve !

A ardósia dessas montanhas já foi muito importante para a economia do País de Gales. Nas pedreiras trabalhavam milhares de homens no século XIX, quando o País de Gales exportava ardósia para o mundo inteiro.

Hoje ainda dá para observar que algumas pedreiras continuam em funcionamento. E para quem tem coragem, que tal atravessar uma pedreira desativada de maneira pra lá de radical? Muitos turistas enfrentam a tirolesa por cima de pedreiras desativadas - num vôo que se estende por cerca de 150 metros de altura e chega a uma velocidade de 160 quilômetros por hora ! A experiência completa dura entre 2 e 3 horas e quem participa garante que é espetacular ! 


Do alto, em sentido horário: pedreira em funcionamento na semana passada;
close na ardósia que foi tão importante para a economia do país
 e um turista corajoso voando por cima das pedreiras desativadas!

É claro que eu não andei de tirolesa, né?, eu lá tenho coragem para esse tipo de coisa? Não voei por cima das pedreiras, mas me esbaldei de outra maneira : como expliquei anteriormente, o País de Gales é a "terra dos castelos"; há 641 no país !!!! Oba !!! Adoro um castelo !


Conwy Castle, no norte do País de Gales, está em excelente estado de conservação
O primeiro que visitamos foi o Conwy Castle, construído pelo rei Edward I entre1283 e 1287.  Ou seja: durou cinco anos para ficar pronto e cerca de 1.500 homens trabalharam na sua construção. O monarca foi responsável, na verdade, pela construção de outras dezenas de castelos na região, que funcionavam como fortalezas, assegurando o domínio inglês na região. Vale lembrar que foi no reinado de Edward I que a Inglaterra conquistou e anexou o País de Gales.

O castelo está em excelente estado de conservação para uma construção do século XVIII. Ao visitar as altas torres de pedra entendemos como elas funcionavam como postos de observação à distância e proteção contra o inimigo. 


Visitando o Conwy Castle, construído há mais de 800 anos
Para se prevenir ainda mais de ataques, existe uma muralha ao redor de todo o vilarejo de Conwy, onde localiza-se o castelo - foi dessa muralha que tirei a foto abaixo. Ao fundo, dá para ver o castelo:


Foto que tirei da muralha que cerca a cidadezinha de Conwy. Ao fundo o castelo
Edward I gostava mesmo de construir castelos. Visitamos outros que ele construiu, como o castelo de Harlech (esse da foto abaixo), construído entre 1282 e 1289. 


Castelo de Harlech
Visitamos também o castelo de Criccieth, localizado entre duas praias, numa península rochosa. O dia em que o visitamos, estava nublado -  o castelo então parecia cenário de um filme medieval... Veja a foto abaixo:


Castelo de Criccieth, no norte do País de Gales
E para não dizer que não falei de castelos (kkkk), visitamos também aquele da foto de abertura desse post, o Chirk Castle. Abaixo outras duas fotos desse castelo.


Fazendo pose na frente do Chirk Castle, no norte do País de Gales
Repare que a localização de todos esses castelos é estratégica - geralmente num local alto, e muitos deles são bem perto do mar. 



Gostou da idéia de visitar castelos medievais no norte do País de Gales? Aqui do lado tem um mapa com alguns dos mais importantes castelos na região.  


Leia também:

Viagem ao País de Gales - parte 2

GRAFITE BRASILEIRO EM CASTELO ESCOCÊS


Você acha que históricos castelos britânicos e paredes grafitadas não combinam ? Pois saiba que nos últimos sete anos o Kelburne Castle, na Escócia, apresentou em sua fachada grafite de artistas brasileiros contemporâneos. É claro que muita gente achou o grafite no castelo medieval uma aberração. Mas a arte dos brasileiros tinha autorização do órgão responsável pela vigilância do patrimônio histórico do país - já que seria uma solução temporária para substituir uma camada de concreto que precisava ser removida. 


Detalhes do grafite brasileiro no castelo medieval
Só que agora parece que o grafite vai ser retirado. Engenheiros responsáveis por obra de restauração do castelo descobriram que o cimento onde a arte foi pintada está causando dano à parede original do castelo. O Earl of Glasgow, Patrick Boyle, dono do castelo, quer manter a arte dos brasileiros a qualquer custo; entrou até na Justiça para preserva a arte dos brasileiros.  Afinal, além de ter pago cerca de 20 mil libras pela obra, o trabalho já foi reconhecido como um dos melhores exemplos de street art do mundo. E, claro, virou atração turística na região. 

O grafite, de autoria da dupla Os Gêmeos e dos artistas Nina Pandolfo e Nunca, mostra desenhos super coloridos, de inspiração surrealista e com toques de cartoon. O que você acha?   

MUSEU ESCONDIDO EM LONDRES


O Wallace Collection, localizado no centro de Londres, é um museu pequeno, mas que vale muito a visita por duas razōes: possuiu preciosas obras de grandes mestres - entre eles Velasquez, Rubens e Titian -  e sua coleção de armaduras medievais européias é simplesmente sensacional. O museu não é muito badalado, fica meio escondido na charmosíssima Manchester Square. Seu acervo espetacular foi formado aos poucos - durante mais de 50 anos - a partir do primeiro Marques de Hartford (1793) e pelos seus descendentes. Em 1897 todas as peças - que incluem ainda esculturas, tapetes, porcelanas e móveis - e a mansão que abriga a coleção foram doados ao governo britânico por Lady Wallace, viúva do último descendente da família. 



A Galeria que abriga as armaduras medievais fica no primeiro andar. Escudos, capacetes, armas e armaduras completas (de cavaleiros e cavalos) estão expostas . São realmente impressionantes - especialmente depois que fiquei sabendo do peso: podem atingir cerca de 60 kg, imagine só !!! 

A mansão que abriga a coleção é belíssima e por si só vale a visita. Cores fortes - como vermelho escuro, verde e dourado - brilham na decoração dos ambientes suntuosos. 


Luxo e opulência numa das muitas salas da mansão


Obras de mestres como Velasquez e Murillo

PASSEIO EM BATH, NA INGLATERRA


A cidade histórica de Bath é uma das jóias do Reino Unido. Aqui, os romanos se estabeleceram há cerca de 2000 anos, encantados com a fonte que jorrava um milhão de litros de água por dia - numa escaldante temperatura de cerca de 46 graus C ! Os romanos consideravam a fonte miraculosa; desde a Idade do Bronze o local era tratado como área de devoção à deusa Sulis, que os romanos identificavam como deusa Minerva. 

Os romanos construíram um reservatório para controlar o fluxo das águas e uma enorme piscina que atraíam visitantes de todo o Império Romano - todos interessados em se banhar ou beber as águas da fonte.

As ruínas dessas termas - cuidadosamente restauradas - atraem, anualmente, milhares de turistas do mundo inteiro à Bath, localizada no sudoeste da Inglaterra. Eu, Mike visitamos as Termas de Bath há dois meses - um passeio realmente sensacional !

As Termas Romanas - a maior atração de Bath
Outro ângulo das Termas e a cabeça da deusa Sulis/ Minerva
E não é que eu encontrei uns Romanos perdidos em Bath ?!!



Mas Bath oferece ao visitante muito mais que as Termas. A cidade é uma preciosidade da arquitetura georgiana - época do reinado dos reis Georges, de 1714-1830. Inspirado no Renascimento Italiano, na Grécia e Roma antigos, é um estilo que - paradoxalmente - buscou acabar com a ostentação demasiada, caracterizando-se por uma "elegância despretensiosa" . Pois bem: dois complexos arquitetônicos magníficos da cidade definem a época e esse estilo. São eles: o The Royal Crescent - um semi-círculo com 33 casas perfeitamente conectadas por colunas jônicas - e o The Circus , um círculo perfeito composto também por 33 casas. 



O lindo complexo arquitetônico The Royal Crescent, em Bath
O conjunto The Circus visto por trás das árvores centenárias
Tudo é lindo na cidade: detalhe do poste de luz

Foi ainda em Bath que viveu durante alguns anos a escritora Jane Austen. Quem adorou livros como "Razão e Sensibilidade" ou "Emma" tem que visitar o centro,  que leva o nome da escritora (eu fiz um post especial sobre o Jane Austen Centre aqui). 

TOUR REAL DE BICICLETA EM LONDRES


Um passeio de bicicletas bem bacana e na medida para quem gosta de conhecer mais sobre a história britânica - e seus reis, rainhas, heróis, vilōes, castelos e batalhas - é o Royal London Bike Tour, em Londres. O percurso dura cerca de quatro horas e inclui The Houses of Parliament , o Buckingham Palace, os Royal Parks ( Kensington Gardens, St. James's ParkHyde Park, Green Park ) entre outros pontos turísticos bacanas na capital.

Mesmo quem não tem muita experiência em pedalar pode participar : segundo o jornalista Tom Jones, que escreveu o livro Tired of London, Tired of Life, o passeio é seguro pois o percurso se concentra basicamente em parques. E porque tanta pedalada pode ser cansativa, no meio do percurso o grupo faz uma parada providencial num pub para recarregar as energia !

ORIGEM DOS SOBRENOMES BRITÂNICOS


A maioria dos sobrenomes britânicos guarda preciosas informaçōes de cunho geográfico, histórico e linguístico sobre as suas respectivas famílias, garante David McKie, colunista do jornal The Guardian, que lançou recentemente o livro What's in a surname? A journey from A to Z. Na publicação, ele explica que os sobrenomes dos britânicos podem ser, geralmente, encaixados em uma das seguintes categorias: aqueles que indicam a localidades onde os ancestrais da família inicialmente se instalaram  (como Bolton, Bradford); os que fazem referência a suas profissōes (como Baker (padeiro, em português) ou Butcher (açougueiro)), ou aqueles que representam alguma forma de apelido (como Stout ou Short). 

Segundo o autor, os sobrenomes oferecem ainda outras pistas sobre a origem geográfica dos ancestrais através - veja só - de seus sufixos e prefixos. Por exemplo: sobrenomes terminando em -son geralmente indicam raízes do norte do país; já os com sufixo -by, -thorpe ou -dale  podem indicar famílias que se estabeleceram na região central da Inglaterra. 

Um fato bem interessante que o livro revela é que apesar de muitos sobrenomes terem desaparecido e outros tantos terem surgido nos últimos 150 anos, os top ten mais frequentes sobrenomes britânicos de hoje em dia são os mesmos de 1853. E quais são eles? Bem, no topo da lista estão Smith, seguido de Jones e Williams. 

PRÉDIOS HISTÓRICOS SE REINVENTAM EM LIVERPOOL


Uma escola que virou showroom de carros de luxo e agora é centro cultural. O Correio Central que se transformou em shopping center. A primeira loja de departamento da Europa que virou hotel e, mais tarde, voltou novamente a ser uma tradicional loja de departamento. Muitos dos lindos e históricos prédios de Liverpool se renovaram e se adaptaram com o passar do tempo, adquirindo novas e muitas vezes, surpreendentes, funçōes. Um bom exemplo é a Liverpool Blue Coat School (essa da foto aí de cima), construída em 1717 - na minha opinião um dos mais lindos prédios da cidade. A escola foi criada para abrigar, em regime de internato,  crianças pobres que estudavam e aprendiam um ofício. Mas a escola cresceu tanto que, em 1906, foi transferida para outro local. 

No início do século XX o prédio teve vários proprietários e abrigou diferentes negócios, entre eles uma escola de arquitetura e um showroom de carros de luxo. Durante a Segunda Guerra Mundial, Liverpool foi maciçamente bombardeada e o prédio foi atingido. Finalmente, depois de muitas reformas, o Blue Coat (como é conhecido hoje) se transformou no final do século passado num espetacular centro cultural - um oásis criativo no coração da cidade, que fomenta a criatividade de artistas e atrai extenso público. São várias salas de exibição de arte plástica, espaço para palestras e workshops e apresentaçōes de música clássica e jazz. 


A linda fachada do shopping. E, por dentro, lojas
sofisticadas

Muitos outros prédios também se transformaram ao longo dos anos. Depois de uma reforma que consumiu £75 milhōes, o antigo prédio do Correio Central de Liverpool se transformou, em 2006, num shopping center pra lá de glamuroso - conhecido simplesmente como Met Quarter -, com lojas como Armani, Hugo Boss e LK Bennet, além de cafés e bistrôs. Construído entre 1894 e 1899, o prédio teve inspiração nos chateaux do Vale do Loire, na França. Duramente bombardeado durante a Guerra, o segundo andar foi totalmente destruído - a reforma re-construiu essa parte do prédio.




O prédio da tradicional M& S já abrigou o Compton Hotel 

Finalmente, o prédio que hoje abriga a tradicional loja de departamento Marks & Spencer, tem uma história interessante. O prédio foi construído para abrigar a primeira loja de departamento da Europa, em 1867: a Compton House - em 1867 (só cinco anos mais tarde Paris abriria a primeira loja do gênero, a Bon Marché). Depois se transformou em um hotel (o Compton Hotel), e mais tarde, em 1928, virou a M &S.

Existem muitos outros exemplos de outros prédios históricos que se reinventaram para sobreviver - não somente em Liverpool, mas em muitas outras cidades na Inglaterra.

MONARCAS FAVORITOS DA INGLATERRA


"I know I have the body of a weak and feeble woman, but I have the heart and stomach of a king", ("Eu sei que tenho o corpo de uma mulher frágil e fraca, mas possuo o coração e estômago de um rei", disse Elizabeth I às suas tropas durante a Guerra Anglo-Espanhola. E ela não estava brincando. Durante o seu reinado (1558-1603), a Inglaterra tornou-se a maior potência da Europa e conheceu um intenso esplendor cultural (só para lembrar: William Shakespeare e Christopher Marlowe viveram na época Elizabetana).  Mas tanto sucesso teve um preço em sua felicidade pessoal.  Segundo um livro que li recentemente, Elizebeth - filha de Henrique VIII e Ana Bolena - era, na verdade, uma solitária. Ficou conhecida como a Rainha Virgem: não casou e nunca teve filhos.,

Elizabeth I é, sem dúvida, uma das monarcas favoritas na imaginação e na curiosidade da população por aqui. Mas não é só ela que faz sucesso entre os moradores da Inglaterra - há outros dois queridinhos: a rainha Victoria e o rei Henrique VIII. E o que os três têm em comum? Eram todos, à sua maneira, carismáticos -  e deixaram um legado histórico fabuloso para o país. 

Tudo bem que Henrique VIII, que reinou de 1509 a 1547, seja mais conhecido por ter casado seis vezes. Mas o maior legado do monarca foi, é claro, ter rompido coma Igreja Católica, e criado a Igreja Anglicana. 
A imagem mais reconhecida de Henrique VIII :  altivo e majestoso 

Eu aprendi recentemente que Henrique VIII construiu inúmeros palácios por todo o Reino Unido. A paixão do rei por construir palácios é lendária - todos projetos grandiosos e modernos para a época, que visavam mostrar a grandeza, poder e opulência do estilo de vida da realeza (escrevi um post sobre isso aqui).

Já a rainha Victoria reinou o Reino Unido de 1837 até morrer, em 1901. Durante seu reinado, o Reino Unido conheceu uma notável expansão industrial, científica e militar, que refletiu também num desenvolvimento cultural. Liverpool, onde moro, cresceu absurdamente na época como principal porto do país, e a população aumentou rapidamente. (para você ter uma idéia, somente no ano de 1847, cerca de 300 mil pessoas migraram para a cidade atrás de novas oportunidades de vida). 

Victoria, ao contrário de Elizabeth I, foi muito feliz na vida pessoal: casada com o príncipe Albert, teve nove filhos. São muitas as imagens do jovem casal, feliz, cercado dos filhos e transmitindo um sentimento de marital bliss (felicidade matrimonial). 

A tradição de enfeitar a casa com uma árvore de Natal foi trazida para a Inglaterra da Alemanha, pelo príncipe Albert, marido da rainha Victoria, em 1841. Ele introduziu o hábito no país montando uma bela árvore no castelo de Windsor





Intriga, inveja e paixão na vida de
Mary, rainha da Escócia
A vida desses reis e rainhas são recheadas de inveja, intriga e paixão - por isso mesmo mini-séries e livros sobre dinastias britânicas fazem tanto sucesso. Se você gosta de um drama real, nada se compara à vida de Mary, rainha da Escócia. Ela é uma das figuras mais enigmáticas da história do Reino Unido: teria sido uma mártir católica, atraiçoada por aqueles em que mais confiava, ou simplesmente uma adúltera, responsável pelo assassinato de seu próprio marido? Os historiadores não chegaram a uma conclusão e ainda hoje,  mais de 400 anos após sua morte, os verdadeiros fatos da vida da rainha Mary da Escócia continuam obscuros. 

A vida da rainha escocesa foi mesmo movimentada: filha única do rei James V, Mary tornou-se Rainha da Escócia aos seis anos de idade. Casou três vezes e enfrentou suspeita de ter sido mandante do assassinato do segundo marido. Foi inocentada, mas sua vida continuou turbulenta: foi forçada a abdicar em 1567 e passou 19 anos prisioneira de sua prima, a rainha da Inglaterra Elizabeth I, até ser executada em 1587. Motivo? Foi julgada culpada numa denúncia de conspiração contra a vida da prima.  Eu vi uma exposição fabulosa sobre a vida da monarca em Edimburgo, no ano passado. 

CASTELO É DESMONTADO NA INGLATERRA

Imagine um castelo sendo totalmente desmontado, bloco por bloco, para depois ser montado novamente no mesmo lugar ! Pois é isso que está acontecendo com o Castle Drogo - famoso por ter sido o último castelo construído na Inglaterra (no início do século passado). O castelo está passando por uma incrível reforma que pretende corrigir uma profunda infiltração que compromete seriamente a estrutura da construção. A reforma, que começou há alguns meses, vai consumir cerca de 11 milhões de libras e deverá terminar em cinco anos. O castelo é administrado pelo National Trust - instituição do governo britânico que cuida de muitas propriedades históricas.

Situado em Devon (sudoeste do país), o Castle Drogo foi construído em estilo medieval pelo badalado arquiteto Edwin Lutyens, que projetou dezenas de propriedades rurais elegantes na época. O castelo, uma encomenda do milionário Julius Drewe, demorou mais de 10 anos para ser concluído. Iniciada em 1911, a construção foi interrompida pela Primeira Guerra Mundial. Depois da guerra, os custos aumentaram significativamente.  A família de Drewe só conseguiu se mudar para o castelo em 1925!


OUTRO CASTELO MEDIEVAL NA INGLATERRA


Eu adoro visitar castelos e mansōes históricas aqui na Inglaterra. Em outubro eu e o Mike visitamos o Sudeley Castle, cuja história remonta ao século X, quando o rei Ethereld doou a propriedade à sua filha Goda, como presente de casamento. Mas o castelo, localizado a noroeste de Londres, ficou conhecido mesmo como a residência da rainha da Inglaterra Katherine Parr, viúva de Henrique VIII. O monarca faleceu em 1547 e Katherine causou escândalo na realeza na época ao se casar novamente poucos meses depois - com Thomas Seymour, seu antigo amor. 


Da esquerda: o Sudeley Castle, o 'trono' da rainha e imagens representam Henrique VIII e Katherine Parr

Ela e o novo marido foram morar no Castelo de Sudeley, mas a rainha faleceu logo depois, em 1548, e foi sepultada lá mesmo, onde adorava viver. A rainha Katherine é uma figura bem popular na Inglaterra: além de ser uma mulher inteligente (escreveu dois livros : "Prayers and Meditations"e "Lamentations of a Sinner"), era muito atraente (adorava moda e jóias) e animada - gostava de danças, música e esportes.